Enquanto o presidente Lula encomenda, para a festa de sua segunda posse, a presença de pessoas beneficiadas pelos programas sociais do Governo - que o elegeram de novo, assim como os venezuelanos acabam de reeleger Hugo Chávez, pela mesma razão - os pobres do Brasil passaram a adquirir planos de saúde baratos. Porque estão cansados de esperar - às vezes até 2 anos - por atendimentos cirúrgicos do Sistema Único de Saúde, mais conhecido como SUS. As mensalidades variam de R$ 40 a R$ 100 e as operadoras vão moldando os serviços de acordo com esse patamar. Tudo sob a fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Cada vez mais, pessoas de baixa renda, principalmente das grandes cidades, estão se filiando a planos de saúude mais acessíveis, e o diretor-técnico de uma dessas operadoras afirma que um plano na base de R$ 90 mensais presta idêntico atendimento que os planos tradicionais, embora seja menor a rede de hospitais e laboratórios credenciados. Ele afirma que os médicos dos planos mais caros são os mesmos dos planos populares. O que fica demonstrado é que o SUS não atende suficientemente, num país onde o número de doentes é muito grande. Os dois fatores encompridam as filas de espera, especialmente para as cirurgias, e numa situação destas é óbvio que muitos pacientes morrem sem serem atendidos. Além dessa deficiência, o SUS paga pouco aos médicos e é preciso forte dose de consciência profissional para prestar um atendimento no mínimo razoável. O tempo de uma consulta naturalmente se encurta, pois são muitas as pessoas a atender. Estes são os males da precária estrutura governamental na área da saúde para as camadas pobres, enquanto o Governo alardeia a excelência de seus serviços sociais. A realidade vai se revelando outra - embora isto não constitua novidade - como mostra agora essa procura dos pobres para planos de saúde baratos, para não ter de esperar pela demora do Sistema Único de Saúde. Todos os cidadãos, atendidos ou não pelo SUS, pagam impostos das mais variadas maneiras para obter serviços públicos, mas vê-se que os mais carentes - que não dispõem de outro atendimento de saúde - são obrigados a recorrer a um novo gasto, como este dos planos populares. Se os serviços sociais são o carro-chefe do ufanismo governamental, atesta-se que nem isto funciona a contento. Então, pouco resta, a não ser muito discurso. A opção pelos pobres, como afirma o Governo populista em sua propaganda, é uma verdade apenas pela metade, ou menos que isso.

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