FIEP e moradores buscando solucionar problemas
Se o poder público demora em solucionar os problemas dos bairros carentes, a população - tendo uma entidade forte por trás - se mobiliza e começa a fazer. Casos de necessidades idênticas são comuns em todas as cidades brasileiras, onde as periferias pobres carecem de atendimentos, mas no Paraná um louvável trabalho de conscientização e mobilização está sendo feito pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). O movimento denomina-se Projeto de Desenvolvimento Local e já está começando a acontecer em Curitiba, Ponta Grossa, Maringá e Londrina, com a meta de estender-se a todo o Estado.
Nessa campanha atuam moradores e empresários. O primeiro passo é um levantamento dos problemas do lugar, com a discussão em grupo das necessidades e desejos, de forma a transformar o bairro em local mais aprazível de se viver. Nem todas as soluções são imediatas, porque alguns projetos são de prazo mais longo, mas o fato é que existe um propósito, com a ajuda de uma instituição forte como a Federação das Indústrias.
Este é um algo mais que está sendo oferecido e há que louvar a iniciativa. Pelo levantamento fica-se sabendo o que cada bairro tem de bom e quais são os anseios de seus moradores, e daí é partir para os projetos de execução, como informa a coordenadora regional da FIEP, Camila Fernandes Costa. No caso de um bairro de Londrina - citando-se como exemplo - o planejamento compreende numa primeira fase a revitalização de praça, o plantio de árvores, a instalação de melhor iluminação e a implantação de uma biblioteca pública. Paralelamente serão dados ensinamentos de culinária. ''Passamos dois anos aguardando a ação das autoridades, mas agora o projeto da FIEP fez que a população se unisse na busca do que é melhor para todos'', declara Jovelino Cassiano Rodrigues, presidente da associação dos moradores do bairro. O próximo passo é a instalação de uma creche. Soluções de outros bairros, na quatro cidades-piloto, vão compreender também asfaltamento de ruas, instalação de escolas, de postos de saúde e linhas de ônibus e trabalhos de limpeza.
Embora a vontade dos moradores exista, mobilizar as pessoas é a operação mais difícil, segundo a presidente da Associação Núcleo Esperança, Márcia Pessoa. Porque - ela diz - muitas não têm noção da capacidade de mobilização e de quanto isto pode ajudar na solução dos problemas. Naturalmente a iniciativa não dispensa o trabalho do poder público, mas essa ação privada, com certeza, acaba também servindo como advertência às autoridades.





