Fidelidade partidária
A apenas quatro dias da data-limite estabelecida pela Justiça Eleitoral para a troca de partidos políticos com vistas às eleições municipais do próximo ano, já é grande a movimentação. Apenas em Londrina, até o momento, quatro vereadores anunciaram a mudança de sigla. No entanto, os exemplos não se resumem a alguns membros do Legislativo londrinense. São inúmeros casos em todo o País.
A questão, tão sem importância para alguns, parece um tanto mais profunda para outros, principalmente, para os eleitores de visão mais crítica. A simples troca de partidos bate em um ponto fundamental, que não deve ser desconsiderado: a ideologia partidária. É de se esperar que quando filia-se a uma legenda, o postulante conheça suas propostas, linha de visão, conduta, orientação, entre tantos outros itens.
Entretanto, o dia a dia da vida política leva os detentores de cargos públicos a caminhos muitas vezes tortuosos, ancorados na vaidade pessoal e na troca de favores em benefício de poucos. Essa conduta, embora reprovável, é conhecida dos eleitores que também pouco fazem para mudar esse cenário. Conforme resolução do Tribunal Superior Eleitoral, editada em 2007, que definiu as regras da fidelidade partidária são consideradas três exceções para a troca de partidos: perseguição, mudança ideológica da sigla e a mudança para um novo partido. No entanto, a grosso modo, não é esta a percepção geral. Pelo contrário. Na maioria dos casos, a troca atende simplesmente a uma ambição pessoal do próprio candidato. São esquecidas as normas e condutas do partido anterior - que, espera-se tenha tido alguma afinidade anteriormente - e é feita a migração para uma outra sigla que lhe confere mais vantagens, pelo menos momentaneamente.
A conduta é antiética, mas tem poucos efeitos práticos. Os eleitores, que em sua maioria parece encontrar-se em uma espécie de amnésia coletiva, nem se lembram em quem votaram há menos de dois anos, muito menos os partidos aos quais pertenciam seus candidatos. Por isso, a farra continua correndo solta. Sem fidelidade, sem ideologia e sem propostas, muitos políticos transitam livremente pela vida pública, atendendo a seus projetos pessoais, em detrimento do coletivo. Já à massa de eleitores, que prefere se manter à distância, sobra a resignação e a certeza de tudo se repetirá nas próximas eleições.





