Ficha limpa tem que ser fiscalizada
Merecem reflexão as palavras do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, ao afirmar que são os tribunais que vão dizer quem tem ficha limpa ou suja no País. Ele também deu moral aos tribunais ao reiterar confiança na Justiça brasileira que, com esse dispositivo legal em suas mãos, vai atuar e aí então acho que a própria sociedade civil vai cobrar das diversas instâncias o respeito a essa decisão, afirmou o presidente da CNBB.
Inteligente, o líder religioso referenda a autoridade institucional, mas, ao mesmo tempo, sugere que a sociedade fiscalize. Ao exercitar um eufemismo eclesiástico, Dom Geraldo parece dizer que a socidade vai ter que fiscalizar mesmo, caso contrário a lei será driblada, desvirtuada e, a esta altura, está aberto o caminho da impunidade. São exemplos disso a omissão da autoridade eleitoral que permite tudo nesta campanha, a começar do ostensivo uso da máquina administrativa.
O que mais diz o presidente da CNBB: Estaremos atentos, acompanhando a implementação dessa lei de iniciativa popular, uma grande vitória da democracia brasileira. Temos plena certeza de que os tribunais agirão no exame das fichas dos candidatos para qualificar aqueles que estão aptos a assumir uma disputa eleitoral. Quando alguém reitera com insistência que confia na autoridade, deixa entrever, no mínimo, que confia desconfiando.
O arcebispo fala de algo que não está acontecendo e não vai acontecer, infelizmente: uma campanha de alto nível, focada em propostas e no respeito a opositores. Isto é impossível em governos populistas que falam o que o povo gosta de ouvir e não em projetos ou algo mais sério. Quando a campanha eleitoral baixa o nível e parte para ataques pessoais, mostra que já estamos fora dos parâmetros que uma sociedade civilizada deve cultivar. A disputa se faz em torno de propostas, de programas, de ideias, de objetivos a serem alcançados, mas tudo isso feito no respeito à diversidade. Tudo isso é válido. Mas uma entidade com a força da CNBB não pode colocar-se desta forma. Sua posição tem que conferir mais efetividade e exercer mais influência para ter a população ao seu lado.





