Ficha Limpa: ainda há esperança
Todos os leitores e leitoras que tenham preocupação com o futuro do País estão comentando o encaminhamento do projeto que impede candidaturas de políticos em débito com a Justiça, os chamados fichas sujas. A interpretação desta FOLHA, expressa neste espaço, ontem, de que uma emenda do senador Francisco Dornelles, tira os atuais deputados e senadores da mira do Ficha Limpa não é única. Também o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, pensa assim. O destaque da Agência Estado diz Para presidente do TSE, texto aprovado limita aplicação em 2010.
O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, disse ontem que o Ficha Limpa poderá ter uma aplicação limitada na eleição deste ano. Graças a uma mudança redacional apresentada pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ) e aprovada pelo Senado, os políticos que foram condenados antes da entrada em vigor dalei estarão livres para disputar cargos eletivos. Se prevalecer a redação (aprovada pelo Senado), a meu ver, sem conhecer o texto ainda, é só (para) aqueles que forem condenados depois da promulgação da lei. É a leitura que se faz, pelo menos, gramatical, afirmou Ricardo Lewandowski. O ministro elogiou a lei aprovada e observou que há um princípio segundo o qual uma lei não pode retroagir para prejudicar.
Não é possível ser feliz com o tipo de deputados e senadores que há no Brasil. Vejamos: além de a lei excluir os políticos condenados no passado, uma interpretação consolidada do TSE estabelece que a situação de elegibilidade do candidato deve ser analisada no momento do registro. Como o registro deve ser pedido até 5 de julho, a expectativa é de que poucos políticos sejam condenados por tribunais no curto espaço de tempo entre a entrada em vigor da lei e o momento do registro.
Durante a análise da consulta, é provável que alguns integrantes do TSE entendam que a regra somente poderá valer para 2012 porque, pela Constituição, uma mudança desse tipo no processo eleitoral deveria ter sido feita com antecedência mínima de um ano. Mas há esperança: o procurador geral eleitoral, Roberto Gurgel, disse que o Ministério Público vai se empenhar para fazer o maior proveito possível da nova regra. A posição do Ministério Público será no sentido de dar máxima efetividade, ou seja, exigir o cumprimento já a partir deste ano, afirmou.





