FHC visita MG esta semana
A coincidência da visita de Itamar Franco à Europa no momento que em FHC deverá visitar Minas Gerais demonstra o quanto os dois – antigos aliados – estão estremecidos. Itamar justificou que, até o dia da saída do Brasil, não havia recebido nenhuma comunicação oficial do Palácio do Planalto. ‘‘Fui presidente e sei que as deslocações do presidente não se improvisam e são previstas pelo menos 15 dias antes.’’ Segundo ele, o compromisso na França havia sido acertado há muito tempo, mas não é isso que afirma a direção de Attac, a associação de luta contra os capitais especulativos, que afirma ter convidado o governador há apenas 20 dias. Ele lembrou que o presidente não visitou Minas Gerais no Dia de Tiradentes, o patrono do Estado, acreditando que o Fernando Henrique tenha tido compromissos mais importantes. Até hoje, ele ainda não sabe se o presidente irá ou não a Minas Gerais.
Essas divergências entre os dois são hoje tão profundas que Itamar reconhece que está forçando, junto ao PMDB, uma convenção extraordinária em janeiro, quando o partido deverá definir se continua ou não apoiando a política presidencial. Ele tratou disso com a direção nacional do partido e conversou com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Se o PMDB quiser continuar apoiando a política presidencial, pode fazê-lo, segundo Itamar, que diz ter uma grande tristeza com esse partido pelo comportamento atual. Itamar lembra que veio do MDB e assiste hoje com muita tristeza a uma evolução partidária negativa. Por isso, está disposto a esperar pela convenção de janeiro, pedida pelo diretório mineiro. ‘‘Mas, se o partido optar por permanecer nessa mesma posição, nessa data vou escolher meu destino’’, afirmou, deixando implícita a possibilidade de uma eventual saída do PMDB.
Apresentado como o espantalho das privatizações no Brasil pela associação que o convidou para falar em Marselha, Itamar confirmou a fama prometendo que não permitirá a privatização de Furnas em Minas Gerais, ‘‘essa filha da Cemig, vítima de um atentado à soberania nacional’’. A questão, revelou Itamar, não é só Furnas, mas é o que ela representa em termos de mananciais de água. Por isso, o governador de Minas Gerais afirmou que está na linha de frente da campanha contra a privatização de Furnas.

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