Brasília - A Polícia Federal abrirá um inquérito para apurar as denúncias de irregularidades no processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O pedido foi feito ontem pelo Ministério Público (MP) do Distrito Federal, que requisitou ainda que o presidente Fernando Henrique Cardoso seja ouvido como testemunha.
‘‘Ele não será convocado por qualquer envolvimento, mas apenas para esclarecer alguns fatos’’, ressalta o procurador da República Luiz Francisco de Souza, do Distrito Federal.
A investigação vai apurar se houve crimes de corrupção ativa e passiva e prevaricação de funcionários públicos. Além de Fernando Henrique, serão chamados para depor o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, o ex-ministro da Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o empresário Benjamin Steinbruch e o ex-diretor do Banco do Brasil (BB) Ricardo Sérgio de Oliveira.
Todos são personagens da reportagem da revista ‘‘Veja’’ na qual Oliveira é citado como suspeito de ter cobrado uma propina de R$ 15 milhões da CVRD, durante o processo de privatização.
‘‘Trata-se de notícias que descrevem crimes de corrupção envolvendo a privatização da maior mineradora do mundo, a Vale do Rio Doce, quando a mesma pertencia à União e envolvendo agentes públicos federais’’, afirmam Francisco de Souza e o procurador Guilherme Schelb, no ofício encaminhado à Superintendência da PF no Distrito Federal, na tarde de hoje.
Segundo o Ministério Público Federal, no inquérito, será ouvido o também empresário Antônio Ermírio de Moraes, que concorreu com Steinbruch no processo de privatização, saindo derrotado, além do ex-diretor-financeiro da Vale Gabriel Stoliar, que até hoje continua na companhia e que foi mencionado em outras reportagens sobre o caso como quem resistiu ao pagamento de supostos pedidos de propina.
Pará - Também no Pará, o Ministério Público Federal decidiu investigar a venda da CVRD. O procurador da República no Estado, Ubiratan Cazzetta, estuda a abertura de procedimentos para avaliar como se deu o processo. A investigação poderá se estender aos grupos que fizeram parte do consórcio que ganhou o leilão

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