O governo negou ontem a possibilidade de negociar a privatização da Vale do Rio Doce em troca da aprovação da emenda da reeleição. ‘‘A palavra barganha está excluída dessa história, completamente’’, disse o presidente Fernando Henrique Cardoso. Seus líderes no Congresso foram escalados para reagir do mesmo modo. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), insinuou anteontem que muitos parlamentares poderiam trocar o voto a favor da reeleição pelo recuo na privatização da Vale do Rio Doce. ‘‘Se eu fosse levar a sério os recuos que vocês dizem que eu vou fazer, eu já tinha caído no abismo’’, afirmou o presidente, dirigindo-se aos repórteres. ‘‘A privatização da Vale não tem nada a ver com nada, a não ser com o interesse nacional’’, repetiu.
FHC voltou a dizer que a reeleição não é problema do governo, mas do Congresso: ‘‘Se acharem que é bom, que façam; se acharem que não, não façam.’’ Fernando Henrique disse que a venda da Vale é de responsabilidade do Executivo, mas que que o Senado vai discutir o edital de privatização.
Para Fernando Henrique, ‘‘o que existem são interesses nacionais que cada um quer preservar a seu modo’’. Ele defendeu o processo de privatização: ‘‘Nós achamos que nosso modo é o correto e nós vamos fazer com toda transparência, como todas as matérias dessa natureza’’.
O ministro-chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, Clóvis Carvalho, também reagiu à proposta de barganha feita por senadores e deputados. ‘‘A reeleição não é nenhum motivo para barganhas’’, disse ele.

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