FHC deixa País com 12 milhões de desempregados
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sábado, 17 de agosto de 2002
Agência Estado 
São Paulo O próximo presidente do Brasil vai se deparar com quase 12 milhões de desempregados um número sem precedentes na história do País e, para efeito de comparação, próximo ao número de desempregados que havia nos Estados Unidos em 1929, ano da quebra das bolsas americanas.
Em 1989 existiam, no Brasil cerca de 1,8 milhão de desempregados. Uma década depois, de acordo com os dados Censo 2000, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número havia saltado para 11,4 milhões de pessoas, ou 15% da População Economicamente Ativa.
Os resultados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) feita pelo IBGE mostram que a situação vem piorando especialmente de 1998 para cá. Em 1997, a taxa média de desemprego medida pela PME apontava que 5,8% da PEA estava desempregada no primeiro semestre daquele ano. Em 1998, esse percentual saltou para 7,8%.
No primeiro semestre desse ano, a taxa média foi de 7,3%. Vale lembrar que a pesquisa contabiliza apenas as pessoas que procuraram emprego nos sete dias anteriores à realização das entrevistas e não aqueles, por exemplo, que pararam de procurar uma vaga.
As razões que levaram o nível de emprego do Brasil à atual situação são complexas. Mas, para especialistas no trabalho, podem ser resumidas em três: a ausência de crescimento econômico sustentado, o processo acentuado de concentração de renda e a baixa taxa de escolarização da população.
A crescente concentração de renda no Brasil é responsável por outro fenômeno que tem ligação direta com a elevação dos índices de desemprego. Ela faz com que muita gente que não deveria fazer parte do mercado de trabalho hoje tome o lugar de outras em idade produtiva. Atualmente, existem cerca de 2,7 milhões de jovens com menos de 16 anos exercendo atividade remunerada, apesar de ilegal.
Da mesma forma, seis milhões de aposentados e pensionistas que recebem rendimentos do governo ainda têm que se manter no mercado de trabalho. A falta de crescimento econômico ajuda a piorar o quadro, com as empresas demitindo.


