Festival de Música ganhando amplitude
Um mérito que se adiciona ao Festival de Música de Londrina é o de sua extensão territorial mais vasta nesta 26 edição que acaba de iniciar-se, abrangendo também Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Porecatu, Sabáudia, Maringá, Ibiporã, Jataizinho e Uraí, portanto extrapolando a região metropolitana. Essa festa de exaltação musical irá até o fim do mês, com atividades intensas todos os dias, incluindo cursos, oficinas e apresentações dos mais diversos gêneros: músicas sinfônica, de câmara e étnica, ópera, canto coral, jazz, choro, samba, rock e hip hop. É um tempo em que se concentrarão na cidade 65 professores e nada menos que 950 alunos, para 71 cursos e mais um sem-número de destacados regentes e instrumentistas, para 80 espetáculos. É sempre relevante exaltar a importância desta realização anual, que nunca sofreu interrupção apesar das tantas dificuldades e dos percalços, num país onde os recursos para esse gênero de promoção são tão escassos. A maioria das apresentações será nas duas principais salas da cidade, e a cada festival ao menos nos anos mais recentes reaviva-se o anseio de Londrina contar com um local mais amplo e com o requinte dos monumentais palcos: o decantado Teatro Municipal (ou Centro Cultural). Um projeto que ainda está nos ensaios, e lá se vão mais de duas décadas. E não é apenas o Festival de Música que anseia fazer desse imaginário local o seu ponto de gala, mas também o Festival de Teatro já tendo chegado ao 39º ano e mais recentemente o Festival de Dança. Essas promoções, que recebem gente de todos o Brasil e também de outros países, têm o mérito da qualidade e do acesso ao público de todas as camadas sociais, pelo baixo custo dos ingressos. Ademais, porque há apresentações também gratuitas em praças, bares, shoppings, escolas, universidades, empresas, hospitais, igrejas, asilos e presídios. Isto confere a este e aos outros dois festivais uma característica popular de refinado gosto. Encerrado o Festival de Teatro, no mês passado, a cidade vive agora o Festival de Música, gerando movimentação artística e econômica e o intercâmbio de conhecimentos e de relações pessoais. Londrina, que tem sido castigada também pelo embrutecimento da violência, é embalada nestes dias de festival pela musicalidade, nos palcos e nas ruas, à disposição de todos que desejam ver e ouvir. Os acordes no ar atenuam um pouco a densidade das preocupações com o trabalho, com as obrigações do dia-a-dia e o estresse, ao tempo em que educam, divertem, acariciam os ouvidos, realinham os níveis da sensibilidade e afagam a alma.





