Festa do Real aproxima 'desafetos' Itamar e FHC
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terça-feira, 09 de julho de 2002
Luciana Nunes Leal eNilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), encontraram-se ontem, após quatro anos de rompimento, durante seminário comemorativo dos 182 anos da Associação Comercial do Rio de Janeiro e do oitavo aniversário do Plano Real, na capital fluminense. Ao iniciar o discurso, FHC se dirigiu ao governador mineiro como ''meu prezado amigo Itamar Franco, que nos dá a honra de sua presença nesta tarde histórica''. O presidente disse que tinha trazido um discurso escrito, mas preferiu falar de improviso, ''ao ver tantos amigos'' e para ''falar mais emotivamente''. Ele contou a história de quando foi convidado pelo atual governador para se transferir do Itamaraty e assumir o Ministério da Fazenda.
A reconciliação foi selada em público depois de os dois terem tido um rápido encontro em uma sala reservada. ''Quero dizer de público que nunca me faltou apoio político do presidente Itamar. Há quem diga que não reconheço. É só ler os jornais. A história não se borra com borracha. Nem os stalinistas conseguiram'', discursou FHC, ao lembrar a implementação do Real.
A ''gota d'água'' para o rompimento entre os dois foi a eleição presidencial de 1998. Itamar não conseguiu candidatar-se à Presidência pelo PMDB, que optou pelo apoio à reeleição de FHC. O presidente foi acusado por Itamar de ter comprado votos dos convencionais peemedebistas. Eleito governador de Minas, Itamar ameaçou não pagar a dívida do Estado com a União, o que só agravou a situação. O relacionamento, que tinha bons e maus momentos desde 1994, piorou de vez.
Itamar deixou o prédio do BNDES sem dar entrevistas, assim como o FHC. O apoio de Itamar ao candidato tucano ao governo mineiro, deputado Aécio Neves, foi decisivo para a reaproximação.


