Festa do futebol, farra dos políticos
O leitor Antonio Aparecido da Silva, de Londrina, levanta uma questão que incomoda as pessoas de bom senso e que se preocupam com a situação do País. É grande o risco de uma anestesia geral, ao término da Copa do Mundo, pior do que a vivida no momento. Só após a ressaca dos jogos as pessoas vão romper sua própria inércia e pensar em coisas mais sérias. Esses hiatos, provocados por festas de apelo nacional; essa ausência dos sentidos da lucidez, exatamente em ano de eleição, pode ser uma perda significativa da massa crítica tão em falta neste Brasil.
Seria bom que mais pessoas, como Antonio Aparecido, tivessem essa preocupação. Ele fala que o futebol é o ópio do povo, um anestésico para as mentes, ''o que faz com que as pessoas esqueçam dos grandes problemas que o Brasil enfrenta''. Esta FOLHA também fez observação nessa linha de pensamento. Só que não é o futebl, uma arte envolvente, a causa dessa anestesia. Quem faz isso são a mídia, pela verba publicitária, e os políticos, pelo circo, um bom motivo para desviar o foco. O futebol é arte, entretenimento, é festa e, ao mesmo tempo, uma indústria que gera dinheiro de todas as formas, o que é ótimo. Não tem culpa.
Mas há um fato novo a ser considerado. Novo e grave. Dias atrás, quando esta FOLHA levantou o mesmo dilema - o espetáculo como anestésico -, um leitor de Apucarana, igualmente antento, fez a seguinte observação. Para orquestrar grandes saques contra os interesses nacionais, os políticos não precisa do barulho do futebol, nem de outros palcos. Grandes escâdalos, como o mensalão do PT e o mensalão do Distrito Federal, do DEM, aconteceram em períodos normais, ou seja, os polítidos não precisam mais de desvios de foco, para aprontar. Sacanagens como a da Assembleia Legislativa do Paraná, são apostas permamentes, basta que haja uma oportunidade. Pensando bem, denúncias contra abusos ocorridos em profusão no atual governo; no Congresso corrpto, em Câmaras Municipais e Assembleia aconteceram em qualquer momento do calendário.
É que os políticos têm menos verbonha, estão mais ousados e não escolhem época para arquitetar contra os interesses coletivos. São movidos principalmente pela impunidade - que impera porque a Justiça não sai da zona de conforto e porque a legislação é cínica e abre oportunidades. E porque são gananciosos.





