Ferrets Piero e Bianca não dão sossego
A comerciária fecha todas as portas, se certifica de que não há nenhuma saída para a rua e só então abre a porta dos fundos. Mal vêem o corredor, Piero e Bianca se embrenham pelos cantos, farejam tudo, sobem no sofá, entram dentro de bolsas. Não existe momento de total descanso com os dois ferrets soltos pela casa.
Valquíria Marchezini Camargo tem Piero e Bianca há, respectivamente, cinco e quatro anos. Os dois dividem espaço com dois cachorros e um papagaio. ''Meu filho sempre viu ferrets em filmes, sempre gostou. Não sou muito fã de gatos, então eles (os ferrets) serviram como uma luva. Eles são carinhosos, brincalhões, limpos, fazem cocô no lugar'', explica a dona.
Importados dos Estados Unidos, os ferrets só são revendidos no Brasil castrados e chipados. Geralmente, o animal é identificado como curioso, ágil e destruidor, mas Valquíria explica que não é bem assim. ''Eles nunca roem nada, mas, sim, fuçam em tudo. Uma vez, os dois subiram na estante e derrubaram os porta-retratos. O Piero já fugiu pra rua e brigou com os gatos do vizinho'', lembra a comerciária.
Híbrido entre rato e gato no aspecto, o ferret não raro desperta medo. ''Certa vez, veio um rapaz aqui em casa trocar o piso. Ele foi até os fundos, viu os ferrets e saiu correndo pra sala, gritando. As pessoas pensam que é um rato, que vai atacar'', explica Valquíria. A comerciária acredita que os ferrets não sejam tão populares devido ao preço.
O veterinário Élcio Sanvido, proprietário da única loja de Londrina que revende os animais, concorda. ''Um ferret custa R$ 1 mil. Agora, é importante ressaltar que, na sua manutenção, o animal chega a ser menos dispendioso do que animais domésticos conhecidos. Um saco de ração custa R$ 130, mas como o ferret come pouco, dá para três meses'', defende Sanvido.
O veterinário admite que cuidar de um ferret dá mais trabalho do que manter um cão ou um gato, por três fatores: comportamento, alimentação e doenças. ''Em primeiro lugar, o ferret é muito aventureiro. Não é ágil, mas gosta de escalar, de conhecer tudo o que for possível. É necessário tomar cuidado para que ele não se machuque. Em Londrina, já teve caso de ferret que caiu do quinto andar'', conta.





