Favorável ao plantio e comercialização de soja transgênica, a professora Olívia Nagy Arantes considera a soja resistente ao herbicida glifosato um avanço para a proteção do meio ambiente. ''Além dessa, já existem várias outras sojas transgênicas. Todas as instituições que trabalham com desenvolvimento de plantas hoje no Brasil têm tecnologia para desenvolver transgênicos e poderiam melhorar e muito a nossa agricultura. Por exemplo, imagine o que significaria para o Nordeste poder cultivar plantas transgênicas resistentes à seca. Já temos mamão resistente à doenças, temos condições de clonar princípios ativos de medicamentos naturais sem ter que arrasar a biodiversidade com extrativismo. Podemos fazer arroz enriquecido com vitamina A. O uso da clonagem e da transgênese em benefício humano é inesgotável'', afirma.
A questão da reprodução dos transgênicos também não incomoda a professora. ''É um mito essa história que toda planta transgênica não produz semente. A própria soja transgênica produz semente e é fertil. A questão de não poder plantar a semente de transgênico depende de como essa variedade foi construída. O milho híbrido não é transgênico e também não se planta'', questiona.
Para a pesquisadora, o que falta para acabar com a polêmica no Brasil é vontade política. ''Se o governo quiser usar a transgênese e injetar dinheiro na pesquisa, o país vai ter um enorme benefício. O maior número de pesquisadores de genética molecular do mundo está no Brasil e a nossa pesquisa em agricultura funciona muito bem. Proibir a transgênese, na minha opinião, é um erro. Proibir é uma coisa que não dá certo nem dentro de casa. Se tem uma coisa que torna o Brasil competitivo no mercado internacional é a agricultura e a transgênese é a porta aberta para o desenvolvimento da agricultura, hoje. Usar o medo e a falta de informação para colocar as pessoas contra os transgênicos é um grande engano'', diz Olivia.
O argumento que a soja convencional ainda tem maior valor no mercado internacional é o único que a professora aceita: ''O único apelo consistente contra a soja transgênica ainda é o financeiro'', reconhece. No entanto, depois de passar anos na Europa e viajar pela China, pesquisando o assunto, Olívia diz que mesmo este argumento tem vida curta: ''A China não só produz como compra transgênicos e o mesmo acontece na Europa, EUA e Canadá. Se ficarmos produzindo soja convencional, daqui a algum tempo vamos vender prá quem?'', pergunta.
A professora lembra que os alimentos transgênicos são consumidos desde 1996, principalmente nos Estados Unidos. ''Daqui a alguns anos, todo mundo vai comer transgênicos e daí nós vamos ficar para trás, ultrapassados e defasados em termos de tecnologia e de produção. O que a gente precisa é produzir transgênicos, sim, mas de acordo com os interesses nacionais. Todo ferramenta para o progresso pode ser bem utilizada. Nós é que temos que fazer essa escolha''.(P.F.)

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