Chegamos ao terceiro milênio, com profundas transformações de conceitos e idéias que marcaram a formação e o crescimento de cidades brasileiras. Vimos neste século cidades crescerem e se agigantarem, causando grandes transtornos aos seus habitantes, que têm perdido progressivamente qualidade de vida. Neste final de século, vemos claramente o modelo da megalópole, que começou a se formar nos anos 60 - sendo responsável pela atração de milhares de pessoas para os grandes centros urbanos - ser substituído por uma nova forma de arranjo das cidades. É o novo conceito da qualidade de vida com estabilidade urbana.
Dessa maneira, pode-se explicar a escolha de nova rota para grandes investimentos econômicos, fugindo de eixos já conhecidos, pelo fato dos mesmos já se encontrareme saturados. Com isso abre-se a perspectiva da formação de um novo modelo de aglomerados urbanos, dentro de uma visão espacializada e com melhor distribuição geográfica.
Assim, procura-se chegar-se a uma estrutura moderna, de integração e de comunicação entre cidades, onde a busca pela regionalização é uma ação inerente e indispensável ao próprio processo de desenvolvimento regional. Dentro desse contexto, formam-se as novas pré-regiões metropolitanas, com cidades de médio porte sendo predominantes, fugindo-se desta forma do perigo do crescimento descontrolado e da ‘‘megalopolização’’.
Nessa linha de raciocínio, as cidades e regiões que dispõe de estruturas técnicas, responsáveis pelo planejamento estratégico, tomando como base ações integradas entre os agentes públicos e privados, tornam-se mais ágeis no sentido de atrair investimentos, garantindo qualidade de vida, equilíbrio e desenvolvimento econômico e social sustentado aos seus cidadãos.
Londrina tem, neste momento, a oportunidade de expandir-se e consolidar-se como pólo regional, através do trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), na administração do prefeito Antonio Belinati, com o lançamento do seu Plano Diretor. Este documento, que contém um conjunto de propostas e leis, elaborado após extensos trabalhos de revisão, reestruturação e complementação daquele iniciado em 1994, será agora apresentado e discutido com a comunidade londrinense.
O Plano Diretor de Londrina traz diretrizes e regras que devem ser capazes de orientar e ordenar o desenvolvimento urbano, social e econômico. Nele são lançados preceitos capazes de orientar a ação de agentes públicos e privados, que atuam na produção e na gestão de Londrina. Ele traz também um arcabouço de diretrizes, visando à elaboração de planos setoriais - já previstos na Lei Orgânica - com um nível de detalhamento maior.
No Plano Diretor de Londrina são apresentadas diretrizes e propostas para as áreas de transporte e sistema viário: implantação dos eixos estruturais, ampliação do sistema de vias arteriais e controle do trânsito; meio ambiente: urbanização de fundos de vale, implantação do lago norte e controle da poluição; zoneamento e uso do solo: redução da densidade no centro, por exemplo; além das áreas ligadas à ação social, como saúde, educação, cultura, esporte, lazer e turismo.
É fundamental, que fique claro, que na atividade de planejamento, o elemento importante não é o plano, mas, sim, a ação de planejamento. Essa deve ser contínua, abrangente, dinâmica e evolutiva, acompanhando as tendências do desenvolvimento. Dentro deste conceito o plano deve ser revisado a cada cinco anos e atualizado a cada dez, podendo isto ocorrer antes, na medida em que for necessário, pela ocorrência ou mudança de vetores de desenvolvimento. Neste caminho o plano, a atividade de planejamento e o IPPUL devem prosseguir.

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