Fernando José Dias da Silva
Fernando José Dias da Silva
Nova
cartilha
O presidente Fernando Henrique disse em Nova York que se
for reeleito priorizará a reforma política. Ótimo, mas talvez não sirva para nada. O que adianta uma reabilitação do sistema partidário, a restruturação da representatividade popular tornado-a mais equitativa, se as coisas começam a acontecer sem a interferência do poder político.
Pode, por enquanto, ser uma visão meio catastrófica do processo. Mas a globalização está aí para não nos deixar mentir. Os mecanismos de controle de movimento de capitais, em termos nacionais, e os instrumentos de implementação de políticas públicas estão perdendo a briga para os interesses supranacionais. Os problemas internacionais não só se sobrepõem aos nacionais como passam a condicioná-los.
E a mediação política onde fica? E sem a mediação política para onde vai a democracia? E, ainda, mais: o Estado servirá para quê, se o que importa será desregulamentado, descontitucionalizado? As regras, se houver, ficam para ser estabelecidas pelas grandes corporações. O Estado passará a cuidar da administração dos parques, das regras de segurança, que devem ser utilizadas em carrinhos de bebê ou na fiscalização e observação das migrações do marreco selvagem.
Predadores financeiros - Os países, principalmente os emergentes, tem de prestar homenagens ao FMI, aos bancos internacionais e aos economistas que só pensam naquilo: a estabilização da moeda, com juros estratosféricos para acumular reservas de moeda estrangeira e tentar comover os predadores financeiros internacionais a investir. Tirar o País do sufoco.
Fernando Henrique já reclamou várias vezes sobre esta situação a organismos internacionais, mas o processo segue inexorável. E nós continuamos na onda em desabalada carreira pela privatização, sem conseguir equilibrar as contas públicas, em vias de abandonar a educação, a saúde e a questão do emprego aos novos senhores que estão substituindo o Estado e as suas funções perspícuas.
Pela cartilha dos novos senhores todas essas atividades podem ser desempenhadas através de terceirização já que o Estado não tem mais meios para se desencumbir destas tarefas. E para fiscalizar o cumprimento dos serviços basta uma agência de energia aqui, uma agência de comunicações ali, outra agência não sei do que acolá que tudo corre as mil maravilhas.
Se já é difícil e pouco eficaz todo esse aparato não sair da linha, com o Congresso e os Tribunais em cima, imagina-se sem nenhum mecanismo deste tipo para garantir um mínimo de racionalidade ao sistema. As agências que já foram e serão criadas já nascem com alguns vícios e pecados originais como o do próprio ministro da área indicar a maioria de seus componentes, como o de pessoas com interesses empresariais nestes setores terem assento nos conselhos dessas agências.
Enquanto isso, os deputados e senadores poderão jogar escravos de jó, jogo da velha ou tocar piano (a especialidade de alguns deles) porque não terão nada para fazer a não ser apreciar o panorama que se desenha em volta deles.





