Fernando José Dias da Silva
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na Terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens ficarão angustiados, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer no mundo, porque as forças do céu serão abaladas. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando essas coisas começaram a acontecer, levantai-vos a cabeça, porque vossa libertação está próxima.
Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a Terra. Portanto ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem.
Os devotos que vão à missa do domingo ficam meio incomodados quando o padre cita este Evangelho, segundo Lucas. Imagine então aqueles que, além de serem devotos, têm ações na bolsa, atuam no mercado financeiro ou mesmo lutam para garantir o emprego.
Interessante que na primeira manifestação acharam que era coisa passageira um curto-circuito, sem maiores consequências que pudesse afetar a grande festa em que todos estavam absorvidos. A gula do consumismo e a embriaguez dos lucros exorbitantes. Mas depois, como no Evangelho de São Lucas, as nações começaram a ficar angustiadas com pavor da ondas de ataques especulativos. E os homens começaram a desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo.
Chegou a hora de orar para ter força para escapar de tudo o que vai acontecer. E o que vai acontecer? Se quebrar a Coréia o abalo será grande, mas se quebrar o Japão a coisa será devastadora.
Os economistas, sempre pimpões para fazerem as suas profecias, dizem com aquele ar de sabedoria que eles aprenderam a ter na época do autoritarismo que o Grupo dos 7 não vai deixar que isso aconteça, que ele segura a crise custe o que custar porque senão todo mundo roda junto. E é verdade. O que é preciso saber é quanto tempo eles conseguem segurar uma situação que, não é mais conjuntural, está carcomendo as estruturas de países que até bem pouco tempo eram exemplos de como deveriam proceder as economias emergentes. Tudo, é claro, com aquele sorriso de satisfação dos economistas que ganham fortunas para palpitar sobre o que o país deve ou não deve fazer.
A vanguarda do atraso, que não rezava pela cartilha do mercado custe o que custar, agora já não está sendo vista assim, de forma tão pejorativa. A bem da verdade, esses vanguardistas do atraso falaram o tempo todo como os planos de estabilização apoiados em âncora cambial dependem crescentemente de capitais externos, que de forma alguma estão garantidos, estão disponíveis deixando a guarda aberta, mostrando claramente a vulnerabilidade à especulação financeira.
Outro dado importante e que já foi apontado pelo presidente Fernando Henrique: os governos precisam criar novos mecanismos, além do FMI e do Banco Mundial, para regular a promiscuidade desse dinheiro que gira pelo mundo e dorme um dia em cada país.





