Férias conjugais
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 2002
Moacir Costa 
As férias conjugais podem ser altamente benéficas para uma relação amorosa, um distanciamento necessário que acaba sendo positivo para o casal. É importante reconhecer que homens e mulheres dividem seus afetos, anseios, objetivos e também suas dúvidas e inquietações. Torna-se interessante em uma vida a dois poder administrar essa dinâmica intensa com criatividade e alegria.
Conviver em tempo integral não é tarefa fácil. Deve-se manter a divisão entre o que é de um e de outro. Não no campo material, mas no setor de idéias projetos e valores. Quando os casais perdem suas individualidades em função da proximidade excessiva há um prejuízo muito grande. Podem ocorrer períodos de insatisfação que fragilizam a parceria.
O ideal é tentar resolver sempre os problemas, assim que eles surgem. Sem jogar a poeira para baixo do tapete, fica mais fácil manter limpa e esclarecida a relação. É claro que existem períodos em que um ou outro, por razões como o estresse ou algum outro problema emocional, estão mais fechados para o diálogo. É importante compreender que se trata de uma fase passageira e depois tentar novamente a aproximação para uma conversa franca.
Nesse sentido, o distanciamento pode ser positivo, afinal contribui para reativar aqueles sentimentos que costumam ser um tempero a mais para a relação: o carinho, a atenção, a vontade de estar junto. Eles fornecem elementos novos para o casal, possibilitando o aparecimento da saudade. Saudade daquele olhar, daquele gesto, daquele afago.
As férias separadas também dão a oportunidade para os parceiros desenvolverem tarefas e atividades individuais, como ler um livro, assistir a programas de TV, viajar e resgatar antigas amizades. Muitas vezes, na rotina de um casal, é muito difícil reconhecer a importância desses fatores ou mesmo sobrar algum tempo para se dedicar a esses programas tão gostosos.
Viver junto pode trazer vários vícios para o relacionamento, desgastes que só são percebidos quando há uma breve separação. Contudo, muitos a consideram dolorosa ou perigosa, pois o distanciamento pode facilitar a infidelidade. Não é verdade. A traição, em geral, ocorre enquanto o casal vive a sua enfadonha rotina.
As férias conjugais servem, ao contrário, para reavivar emoções e trazer nova vibração à vida a dois. Dessa forma, é fundamental reservar um tempo para essas ''fugas solitárias''. Certamente, elas irão permitir um novo e revigorante encontro. Após alguns dias separado, o casal normalmente retorna com ânimo e pique incomuns, inclusive na área sexual.
Moacir Costa é médico psicoterapeuta e autor do livro ''A pílula do prazer''


