É fato popular que a economia brasileira começa a engrenar depois do Carnaval. Embalado pelas festas de final de ano, férias escolares de verão e pelos quatro dias de folia, é natural que os empresários adiem decisões de investimentos e que os consumidores comecem a cumprir o planejamento do ano após a passagem deste longo período. No entanto, também é fato que o excesso de feriados nacionais, estaduais e municipais acaba por trazer prejuízos à economia.
  Estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro aponta para uma perda de R$ 44,9 bilhões ocasionadas pelos feriados nacionais e estaduais neste ano, valor 21% maior do que o estimado no ano passado. Os números representam 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB). A metodologia utilizada para calcular o custo econômico dos feriados considerou o PIB industrial diário, traduzido no valor máximo que poderia ser perdido pela indústria com um dia paralisado. A interpretação é que o calendário tem forte influência nos resultados, uma vez que quanto mais feriados em dias úteis maiores são as perdas para a economia.
  A afirmação é lógica, mas também há contestações. Para a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) a metodologia utilizada é questionável, além de considerar que as indústrias já estão preparadas para os impactos dos dias parados por trabalhar com programação da produção ou com revezamento dos trabalhadores, no caso das empresas que não podem paralisar as atividades. Além disso, a Fiep considera o incremento de outros setores nestes dias, como o turismo e o comércio. E, neste quesito, há que se considerar também que o custo da hora trabalhada nestes dias é maior.
  Os feriados estão arraigados na cultura nacional e, neste ponto, não há razões para que voltem a ser considerados dias úteis como forma de incentivo à produção. No entanto, há que se promover estímulos à economia, seja por meio de incentivos fiscais, reforma tributária ou de investimentos na infraestrutura do País.

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