Feriado prolongado apenas para alguns
O feriado de quarta-feira, 1º de Maio, Dia do Trabalho, antecipa para a população brasileira uma situação que já é comum, mas ainda causa indignação e é motivo de ironias. Reportagem que a Folha publica nesta edição prevê uma semana esvaziada na Câmara dos Deputados, justamente por causa do feriado. No Senado, a mesma reportagem informa que a previsão é de sessões não deliberativas, também porque poucos senadores estarão em Brasília.
Pois bem. A segunda-feira é de atividades normais para a maioria da população brasileira. Hoje, milhares de trabalhadores estarão lotando conduções, desde as primeiras horas da manhã e muitos deles ainda no meio da madrugada , que os levem aos respectivos locais de trabalho. Assim também farão os estudantes, a caminho de suas escolas; os ambulantes, na busca de produtos para serem vendidos e que garantam a manutenção das contas domésticas; e as donas de casas, na lida com as coisas que fazem parte da rotina de uma segunda-feira.
O feriado, afinal, é somente na quarta-feira. Mas no Congresso Nacional, conforme mostra a reportagem, o próprio governo sai à caça de parlamentares para que projetos urgentes possam ser analisados e votados. É o caso do que trata da conversão à medida provisória da renegociação da dívida dos pequenos produtores rurais, provalmente a única matéria a ser examinada na semana.
À população, cabe, portanto, indignar-se. E fazendo valer o seu direito de, neste momento de final de mandato, aplicar o humor tão típico neste povo, imaginar onde estarão os parlamentares ausentes de Brasília, numa segunda-feira que nem véspera de feriado é. Provavelmente, muitos deles estarão trabalhando, mas não nos debates de projetos que interessam a todos. Estarão, sim, trabalhando suas bases eleitorais.
Assim, por mais uma vez, fica evidente que a arma que o eleitor dispõe, para eliminar de vez os políticos que transforma dias úteis em feriados, é o voto. Este é o instrumento democrático que pode transformar uma segunda-feira de trabalho em dia igual para todos os trabalhadores.





