Feministas lançam plataforma política
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de julho de 2002
Fabiane Bernardi<br> Agência Estado 
São Paulo As lideranças do movimento feminista querem aproveitar o crescimento da importância das mulheres no processo eleitoral para defender uma pauta política própria, envolvendo questões que vão da liberdade sexual e reprodutiva à democracia e justiça social, saúde, educação e trabalho. A ''Plataforma Política Feminista'', documento de 43 páginas aprovado em junho na Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras, em Brasília, será lançada no próximo dia 6 de agosto, na seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), durante evento que também incluirá um debate sobre o tema.
''A Plataforma contém as questões específicas das mulheres e também a visão feminista sobre a sociedade brasileira'', explica Maria Betânia Ávila, socióloga e coordenadora geral da organização SOS Corpo, Gênero e Cidadania. O documento é resultado das conferências estaduais, realizadas nos meses de março a maio de 2002. Em junho, com a participação de aproximadamente duas mil mulheres, foi concluída a redação final em Brasília. ''A plataforma é fruto de uma grande mobilização nacional, que mostra a adversidade das mulheres. Ao que sei, não existe um documento que exponha com esse grau de densidade a posição das mulheres brasileiras.'' No âmbito da saúde, por exemplo, a plataforma defende o sistema único de saúde.
''Também há questões que dizem respeito à vida reprodutiva e sexual, concepção, anti-concepção, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, além da legalização do aborto'' , explica Betânia. ''Também ressaltamos a posição feminista quanto à economia brasileira e a igualdade social.'' Betânia informa que depois do lançamento, a plataforma será um instrumento de trabalho e ação política de todos os fóruns de mulheres do Brasil. Ela esclarece que o documento não tem compromisso com nenhum candidato à Presidência da República. ''Por enquanto não existe a proposta de entrega formal da plataforma aos candidatos à Presidência da República, mas por se tratar de um documento público, todos terão acesso.''
O debate ''Mulheres e Eleições 2002'', que marcará o lançamento da Plataforma, será realizado a partir das 19h30, na sede da OAB em São Paulo, promovido pelo Comitê de Organizações Feministas de São Paulo, com o intuito de discutir o papel da mulher na sociedade. O grupo é formado por entidades como Cladem (Comitê Latino-Americano para a Defesa dos Direitos da Mulher), Geledés Instituto da Mulher Negra, Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, União Brasileira de Mulheres e Comissão da Mulher Advogada da OAB.
Além de Maria Betânia Ávila, também está na lista de debatedores a cientista política e professora da UnB, Lúcia Avelar; a socióloga e especialista em pesquisa eleitoral, Fátima Pacheco Jordão; e o coordenador do Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo, Gustavo Venturi, responsável pela pesquisa ''A mulher brasileira nos espaços público e privado''.


