Feirantes discordam de queixosos
A polêmica em torno da Feira do Centro teve início quando moradores da Avenida São Paulo reivindicaram providências para o espaço. Segundo eles, a feira livre, que acontece na avenida há 50 anos, estaria proporcionando transtornos porque os horários de montagem das barracas, a partir das 4 horas, não seriam respeitados pelos feirantes, as calçadas não receberiam limpeza adequada e as vias ficariam obstruídas pelo acúmulo de feirantes.
As queixas foram apresentadas à direção da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) no último dia 9, e lideranças dos feirantes devem conversar na prefeitura nesta segunda-feira, dia 16. ''Daqui ninguém nos tira. A feira tem décadas de existência e são 200 famílias de feirantes contra 30 de moradores que reclamaram'', afirma Carmem Marques, esposa do comerciante Antônio Carlos.
A feirante diz que as críticas dos moradores são injustas. ''Sobre o horário, temos que chegar cedo mesmo, não dá pra montar barraca às 7 horas da manhã. Sobre a limpeza, deixamos tudo certinho. E não fazemos barulho'', argumenta Carmem. Antônio dos Santos Matos diz que os moradores têm outros interesses em mente. ''Na verdade, eles não querem feira na rua porque isso desvaloriza os imóveis da região'', argumenta.
A hipótese é contestada por Juvaldir Bilhão, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina. ''Feira livre não interfere no preço. Prova disso é que os imóveis por toda aquela região estão sendo negociados normalmente. Sem falar que se trata de uma região central e valorizada'', explica o corretor.
Mas mesmo entre os moradores da região a transferência da feira para outro espaço não é unanimidade. ''Venho sempre aqui e sou a favor de que continue. Moro no Rua Goiás, perto, e pra mim é muito cômodo'', diz a dona de casa Neuza Gimenes. Porém, ela admite: ''Acho que não gostaria de ter uma feira toda quinta e domingo na porta de casa...''
O porteiro Antenor Boniolo, que trabalha num prédio na Rua Alagoas, se lembra de um incidente provocado por uma feirante. ''Ela montou a barraca bem na saída do estacionamento do edifício. Os moradores discutiram com ela e mesmo o representante dos feirantes deu razão às queixas'', explica. Ele afirma, porém, que são poucos os moradores do prédio que reclamam da feira.
O mesmo não pode ser dito de Zakie Khouri, proprietária de uma loja de roupas na Avenida São Paulo. ''Quinta de manhã é um dia morto pra nós. Não aparecem clientes, porque eles não conseguem estacionar perto. Os feirantes deixam muito lixo e, em busca deste movimento mínimo, prejudicam os comerciantes da região'', critica.





