Federalização da UEL
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de maio de 2003
Barbosa Neto 
Sugeri a federalização da Universidade Estadual de Londrina (UEL) durante debate sobre o fechamento do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Acreditei estar prestando um serviço não apenas à UEL, mas a todo Estado, que alega não ter recursos para dotar de condições e manter um curso tão importante numa região desprovida, na formação de futuros profissionais da área médica. Se a proposta fosse aceita, o governo do Estado, em tese, teria fôlego financeiro para suprir a necessidade da UEPG.
Acredito que tenho o direito de sugerir tal proposição porque além de ex-aluno da UEL (com láurea acadêmica, diga-se de passagem), sou respaldado com a quarta maior votação do Estado.
A federalização não é a panacéia para o Ensino Superior no Paraná. Esta sempre foi uma antiga reivindicação da comunidade universitária da UEL, pelo menos nos últimos 25 anos. Não imaginava que a reitora, que é do PT, fosse contrária à idéia justamente no momento em que o Partido dos Trabalhadores está no poder, tendo um ex-reitor como ministro da Educação. Dizer que a federalização pode piorar a qualidade do ensino é desacreditar o próprio governo federal e tudo que preconiza o presidente Lula e seu Ministério.
Aliás, foi o próprio Lula que disse, dias atrás, que culpar o neoliberalismo, como fez a reitora, por todos o problemas brasileiros é discurso ultrapassado.
E mais, os alunos de Ponta Grossa que terão de ser remanejados para outras universidades estaduais, não ocupariam vagas na UEL, UEM e outras instituições, diminuindo ainda mais as oportunidades de ingresso numa universidade pública e gratuita.
Quando se fala na qualidade do ensino na UEL, não podemos nos esquecer que a entidade pode melhorar ainda mais este padrão, não apenas em alguns cursos mas em sua totalidade. Não podemos nos esquecer que o ano letivo começou com atraso por conta da maior greve da história do País, que durou 6 meses e deixou prejuízos para os próximos dez anos, como demonstraram projeções da própria Universidade.
A reitora se contradiz ao condenar a federalização alegando as dificuldades enfrentadas pelas universidades federais, no segundo e terceiro parágrafos e no quinto defende a implementação de mais uma universidade federal no Estado. No entanto, todos concordam com uma reivindicação: a União precisa enviar recursos para as nossas universidades estaduais.
Federalizar a UEL, ou qualquer outra universidade estadual, é uma questão polêmica e que desagrada parcela significativa do meio acadêmico, com a alegação geográfica ou política de que sendo estadual é mais fácil reivindicar. Mas, tendo Lula na presidência e um ex-reitor e ex-professor no Ministério da Educação, além de um governador com grande afinidade com o presidente, ainda assim, o Estado é o melhor patrão, mesmo com Lula-lá?
BARBOSA NETO é deputado estadual pelo PDT


