O Brasil já conheceu períodos de epidemia intensa de febre amarela. No país, os primeiros casos da doença aparecerem em 1685 em Pernambuco, num ciclo que durou dez anos. Salvador (BA) também foi atingida e, ao longo dos séculos, houve epidemias em Estados do Norte do País. A mesma doença assolou o Rio de Janeiro no início do século 20, obrigando o sanitarista Oswaldo Cruz a montar uma campanha de controle nos moldes militares que deu o que o que falar. Grandes campanhas de vacinação conseguiram controlar a doença, que teve ciclos silvestres e urbanos. O último grande ciclo urbano ocorreu no Acre em 1942, mas eis que, em pleno século 21, a febre amarela volta a ser ameaça e coloca as autoridades sanitárias em alerta.
A diferença entre a febre amarela silvestre e a urbana é que o primeiro tipo é transmitido pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que vivem nas matas (ou parques com matas) e na beira dos rios. Estes mosquitos que vivem nas matas picam macacos contaminados e levam o vírus no seu corpo. Quando picam uma pessoa suscetível, inoculam o vírus na corrente sanguínea e transmitem a doença. Já a forma urbana é transmitida quando o mosquito Aedes aegypti pica uma pessoa doente e depois pica outra pessoa suscetível, exatamente como acontece com a dengue, zika e chikungunya. Mas o vírus é o mesmo e a doença é a mesma, segundo as autoridades de saúde.
O maior risco é que uma pessoa picada e contaminada por transmissores de febre amarela silvestre, venha para a cidade e aí o Aedes (que existe em tudo quanto é canto) a pique. Então, teremos um Aedes contaminado voando por aí.
Enquanto focos da doença estão restritos a áreas florestais, a população ainda tem o alento de não incorrer em riscos que a tornem desprotegida nas cidades. Mas desde as epidemias de dengue e zika, surtos de novas doenças eram esperados pelas autoridades, de modo que não custa lembrar que a falta de cuidados em ambientes insalubres e com índice sanitário baixo - falta de esgotos, água parada, etc. – é fator que pode auxiliar e desencadear a evolução da doença. Surpreendentemente, as amplas campanhas contra a dengue que ganharam espaços nas mídias oficiais e extraoficiais há menos de dois anos, parecem ter sumido do mapa ou escasseado tendo em vista um novo risco que já causou a morte de centenas de pessoas. Agora, as atenções se voltam com razão para uma nova epidemia com ampla campanha de vacinação, mas nunca é demais lembrar que os mosquitos desconhecem fronteiras e que a causa das doenças, além das naturais, quase sempre encontram reforço na falta de higiene e cuidado nos espaços públicos e privados. Além da vacina, são necessários cuidados que dependem de um requisito básico: consciência sobre as condições sanitárias geradoras de saúde ou doença em massa.

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