Temos que temer não só Saddam Hussein, mas muito mais Bill Clinton. Porque não é só Saddam que quer a guerra, mas sobretudo Bill e os cidadãos dos Estados Unidos. Os mais fortes anseios dos norte-americanos se estribam nas guerras. Eles precisam delas como os brasileiros precisam do futebol. Porque a guerra instila o espírito guerreiro da grande nação e lhe assegura o status de maior potência do planeta, condição que já dura um século. Saddam Hussein, de sua vez, parece haver emergido dos umbrais. Ele semeia desequilíbrios, assim como ‘‘El Ni¤o’’ e as doenças incuráveis que assolam a humanidade de tempos em tempos. É produto de emanações geradas pelos desregramentos a que chegamos neste final de milênio.
As nações do mundo não querem esta guerra, que pode deflagrar um conflito global, mas Bill Clinton a quer. Os norte-americanos a querem. Porque os EUA são uma nação em armas. Todos os cidadãos (adultos e adolescentes) do país são orgulhosos soldados em defesa dos seus grandes ideais, que algumas vezes extrapolam para o intervencionismo fora de suas fronteiras.
Os ‘‘sábios’’ das câmaras secretas da Casa Branca e do Pentágono, passando pelo poderoso sindicato dos fabricantes de armamentos - e que juntos interpretam a predisposição da grande maioria dos cidadãos do país -, ainda não encontraram um sucedâneo para as guerras. Porque as guerras consomem de tudo, e os norte-americanos produzem tudo o que as guerras consomem. As guerras acionam as indústrias pesadas do ferro, do aço e do fogo. Os monstrinhos que elas geram promovem a destruição, para que a seguir a mesma grande nação patrocine a reconstrução. Já aconteceu com o mesmo Iraque.
Saddam é proclamado pelos americanos ‘‘inimigo nº 1’’ dos Estados Unidos, mas na verdade é deles um grande aliado. E não só deles. Porque é um estimulador de guerras. E guerras sofisticadas, que proporcionam pela mídia eletrônica formidáveis espetáculos, que chegam a desbancar a ficção. Coincide que os norte-americanos não têm no momento nenhuma guerra de plantão, e eles sofrem de coceiras terríveis se não estão numa. Eles apreciam o jogo da guerra. Pais e avós se orgulham de o filho ser convocado para ‘‘defender o mundo’’ da ‘‘tirania’’ de alguém. Morrer, será apenas um incidente.
O presidente Bill Clinton, para fugir da incômoda publicidade que o envolve por causa daquela Mônica Lewinsky, pensou rápido em algo que desviasse a atenção dos norte-americanos, e acenou com a guerra. Não deu outra: sua popularidade subiu para 70%.
‘‘Faça amor mas faça também a guerra’’ - proclamam os cidadãos americanos ao seu presidente. Norte-americanos valorizam os seus presidentes, tanto que se estes lhes falham, eles os matam. Já o fizeram quatro vezes. Em democracia forte, cai o mandante mas as instituições se preservam e até se fortalecem.
Os nossos brothers norte-americanos comemoraram, neste último domingo, 100 anos como ininterrupta potência mundial, entenda-se de domínio sobre o planeta. Tudo começou com aquela guerrinha hispano-americana, que foi o marco da política intervencionista estadunidense. Só nessa brincadeira os EUA anexaram aos seus domínios três países do continente. Já setenta anos antes o presidente James Monroe inoculara as mentes nacionais com aquela sua doutrina da ‘‘América para os americanos’’, que na prática viria a se transformar em ‘‘o mundo aos pés dos norte-americanos’’... E nem sempre por imposição deles...
Agora, com a sanções econômicas contra o Iraque - quem sabe necessárias - despertaram a fera, municiada que está, até os dentes, com armas muitíssimo perigosas, incluindo as de destruição em massa. Clandestinamente Saddam veio se armando. E encurralando o povo para a pobreza, mas o povo fanatizado o ama. Saddam é capaz de detonar o mundo; e os americanos o fariam ainda melhor. Os times estão em campo, só falta Bill Clinton decidir-se pela loucura de soar o apito.
Nesta hora crucial incumbe aos cidadãos pacíficos do mundo, incluindo nós brasileiros, não alimentar iras nem contra Bill nem contra Saddam, mas orar para que esses homens tenham um lampejo divino e evitem uma nova catástrofe. Cinco bilhões de seres humanos não podem estar nas mãos de apenas dois homens. Mas se dois homens imersos na treva podem detonar a guerra, apenas um homem na luz pode detê-los. Porque a luz triunfa sobre a treva.
Nos resta orar. Em nossos lares, nos templos, nas ruas, em nosso íntimo, lançando luzes sobre esses dois mandatários que no momento enfeixam em suas mãos tanto poder. Não vamos alimentar ideais de guerra, porque elas sempre acarretam karmas para toda a humanidade, atrasando sua trajetória evolutiva. Os pacíficos deste mundo têm o dever de preparar as bases para a chegada do Terceiro Milênio, que será uma era de luz. Não vamos permitir que se retarde esse processo. Não podemos ficar em atitude contemplativa assistindo indiferentes ao desenrolar dos acontecimentos. Orar. Nada há de mais poderoso que o estado permanente de oração.

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