Uma diferença de 55 anos e 6 planos econômicos, só nas últimas duas décadas, separam as vidas de dois casais: Aymoré e Iza, Alex e Gisa. Enquanto o primeiro desfruta a tranquilidade de uma merecida aposentadoria, o outro faz planos e contas para o casamento que se aproxima.
Gisa Striquer Bisotto e Alex Souza têm a mesma idade, 25 anos. Os dois namoram há 7 anos e já estariam casados se não fosse por aquele velho motivo: falta de dinheiro. Gisa é filha de uma família de classe média. Os pais são professores aposentados, moram em casa própria e têm carro. Ela e os dois irmãos têm curso superior. Formada há 4 anos em Ciência da Computação e sem perspectivas de conseguir um emprego na área, Gisa seguiu o mesmo caminho de Aymoré: fez concurso para o Banco do Brasil. Só que a vida não é a mesma e o banco também não é mais aquele ''empregão'' de antigamente. ''O trabalho é muito puxado, o número de funcionários reduziu bastante e o serviço é estressante. Sinceramente, não pretendo me aposentar como bancária'', garante Gisa.
Alex é vendedor e está fazendo faculdade de Direito. Nenhum dos dois têm carro. Gisa mora em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) e vem trabalhar de ônibus todos os dias. A prioridade deles é a compra de um imóvel. Juntos, eles pagam um consórcio há dois anos. As prestações consomem 20% dos salários e ainda faltam 9 anos para terminar o financiamento. Não sobra dinheiro para fazer poupança e muito menos para dar um lance. ''Nossa esperança é sermos sorteados logo. As prestações têm reajustes anuais e nosso salário, não'', diz Gisa.
Os dois também se preocupam com os filhos que virão. ''Quando a gente pensa em pagar colégio particular, inglês, esporte, plano de saúde, enfim, todas essas coisas que a gente quer proporcionar para os filhos, é assustador'', confessa Alex. ''Já fizemos as contas várias vezes e se a gente fosse se casar hoje, não daria para se manter com o dinheiro que a gente ganha'', revela Gisa.
O casamento foi adiado para o final do ano que vem. Gisa e Alex continuam trabalhando, fazendo planos e contas. Apesar das dificuldades, eles não perdem de vista o projeto de uma vida a dois e já aprenderam uma lição importante: ''Hoje em dia as pessoas são muito individualistas, querem conseguir as coisas sozinhas prá depois pensar em casar. A gente não pensa assim. Nós estamos juntando as forças. Se tem compromisso a dois, tudo fica mais fácil'', ensina Alex.

mockup