Há uma semana sem ter o que comer, é surpreendente como a desempregada Sulamita Francisca Filho, 38 anos, encontra ânimo para cantar.
A ajuda das igrejas não chegou e a assistência governamental também, mas o que chateia a vendedora de sucos de laranja agora desocupada é não ter como oferecer uma ''cafezinho'' para a equipe de reportagem da Folha de Londrina, que entrou em seu barraco para constatar a panela vazia.
Para dar uma enganada na fome, ela e o irmão que a acolheu há alguns meses, depois que se separou, fazem uma mistura de restos de gorduras de carne com farinha.
O fogo é no chão mesmo, desprovido também do assoalho que poderia esquentar os pés à noite. Juntos, vendendo sucos quando o clima permite, conseguem, no máximo, R$ 300,00 por mês.
Falta tanto que Sulamita não sabe nem como priorizar seus sonhos. ''Falta tudo, não sei nem o que pedir'', comenta Sulamita.
A esperança está em Deus e no cartaz de um político afixado na parede do barraco. ''A noite durmo cedo para enganar a fome e no outro dia vou à luta de novo'', conta.
Enquanto a ajuda não vem, Sulamita canta, como quem ''os males espanta'', principalmente o mal da fome e do abandono.

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