Carlos Lupi (PDT), que comandava o Trabalho, é o sétimo ministro a deixar o governo de Dilma Rousseff (PT), o sexto por suspeita de irregularidades. Denúncias de cobrança de propinas de ONGs, benefícios de entidades ligadas ao seu partido, acúmulo de cargos públicos, entre outros, culminaram no seu pedido de demissão, entregue no domingo à presidente. Mesmo com Lupi fora da pasta, o que espera é que as denúncias não caiam no esquecimento e que sejam apuradas até o fim.
Até então, a presidente tem adotado a postura de afastar do governo envolvidos em escândalos de corrupção. A atitude é saudável, mas não seria melhor que antes da nomeação houvesse uma investigação sobre a vida pregressa do postulante? O ideal é simplesmente que as denúncias não ocorram, que a população possa ter absoluta confiança de que o escolhido seja uma pessoa honesta e correta com os seus deveres. Depois dos escândalos, o que resta a fazer é apenas recorrer à demissão. No entanto, isso só não basta. É preciso fechar esse ciclo e exigir a punição dos responsáveis.
Quase um ano após a sua posse, especialistas avaliam que a pesidente ainda não conseguiu construir uma equipe com a sua cara. Poucos foram os ministros por ela escolhidos. Muitos foram indicados por partidos aliados, enquanto outros ainda são sobreviventes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Talvez já tenha passado da hora de a presidente buscar uma equipe mais coesa e que tenha o seu estilo de governar. Se isso não ocorrer, há o risco iminente de se aumentar muito a rotatividade. E, neste caso, as consequências são drásticas, uma vez que provoca a descontinuidade de projetos e programas e torna os processos ainda mais lentos.
Ainda que o eleitor tenha optado pela continuidade do governo Lula, há a expectativa de uma administração própria, que consiga sair da sombra de seu antecessor. E isso só irá ocorrer se a presidente conseguir imprimir a sua marca, a sua maneira própria de governar. É preciso pulso para cobrar ações corretas e uma força maior ainda para punir os que se desviarem.

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