As declarações do doleiro Alberto Youssef, feitas ontem durante depoimento à CPI da Petrobras, só vêm reafirmar o sentimento da maioria dos brasileiros: de que a presidente Dilma Rousseff (PT) sabia dos esquemas de desviaram bilhões de reais da Petrobras. Embora não tenha apresentado provas, Youssef mencionou conversas e fatos ocorridos que indicam o conhecimento dos mandatários.
Parece difícil acreditar que a chefe do Executivo desconhecia uma operação como essa, montada exclusivamente para sangrar os cofres da maior estatal brasileira. Além disso, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, está preso sob acusação de receber entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras. Certamente esse dinheiro beneficiou campanhas eleitorais de todo o partido.
O que os brasileiros esperam é que as investigações da Operação Lava Jato esclareçam todos os detalhes do esquema de desvio de dinheiro, desde a exata quantia a todos os beneficiados. Essa operação já mostrou à população que crimes de corrupção e lavagem de dinheiro são passíveis de punição, a partir da prisão de dirigentes de empreiteiras, de diretores da estatal e de doleiros. No entanto, ainda é preciso ir mais a fundo. Provavelmente há mais "provas perdidas" que podem levar a pessoas ainda não citadas.
Nesse caso da Operação Lava Jato, de certa forma, os escândalos chegam a ferir a soberania nacional. A Petrobras é um dos símbolos do nacionalismo e da capacidade de o Estado fomentar investimentos e induzir o desenvolvimento. A partir dessa mancha, fica uma certa descrença e um sentimento de indignação com a política brasileira.
Ontem, a primeira remessa do dinheiro desviado pelo diretor da Petrobras, Pedro Barusco, de R$ 157 milhões, voltou aos cofres da estatal. É importante que o dinheiro desviado seja recuperado.

mockup