Há muitas perguntas para as quais os candidatos a cargos majoritários e proporcionais procurarão respostas, antes do dia 3 de outubro. Uma delas, porém, é a mais recorrente, por ser a que mais se relaciona ao sucesso/insucesso das campanhas eleitorais. Eis a pergunta: ’’ o que faz um eleitor preferir um candidato à outro?’’ Não há uma resposta fechada para a questão. Mas alguns elementos podem ser alinhados e, de sua combinação, pode-se chegar próximo a uma resposta razoável. Dependendo do candidato e da região, certos fatores pesam mais que outros.
O primeiro apelo é o do bolso. Relaciona-se à luta pela sobrevivência e à necessidade de se garantir o alimento. É um dos impulsos básicos do ser humano, que age principalmente em épocas de contenção, crise e desemprego. Quaisquer propostas para garantir o sustento de pessoas e famílias, quando feitas de maneira crível e objetiva, laçam o interesse das pessoas. Um bom emprego ou a perspectiva de melhorar de vida simbolizam o eixo desse discurso. O segundo fator de interesse liga-se à região, ao município, ao bairro, à rua. Trata-se do fator proximidade, que, nos últimos tempos, tem despertado a intenção dos eleitores. O voto está ficando, cada vez mais, distritalizado, regionalizado. As pessoas querem ver melhoramentos nos espaços que as abrigam. Esses são fatores de natureza racional.
O terceiro elemento está voltado para a proximidade psicológica entre eleitor e candidato. Trata-se, no caso, do conhecimento que o eleitor tem do candidato, aí incluidos os contatos, a aproximação, a tradição familiar, o grau de intimidade. É como o eleitor estivesse votando em alguém da família. Outro tipo de apelo, próximo ao anterior, relaciona-se às indicações feitas pelo grupo de referência do eleitor -seus próprios familiares, vizinhos, amigos e companheiros de trabalho. O grupo funciona como guarda-chuva do candidato.
Outro conjunto diz respeito ao próprio candidato. A começar por sua história pessoal e profissional. Se tiver coisas a mostrar, ficha limpa, passado decente, ganha boa sinalização. A experiência é importante, principalmente nas campanhas majoritárias. Mas nada disso funciona, se o candidato não tiver visibilidade e não apresentar um programa que venha bater no sistema de signos, interesses e vontades do eleitorado. Há que montar um bom esquema de aparecimento na mídia e criar fatos que possam originar interesse público. Aspectos pessoais - formas de se vestir, falar, gesticular - também chamam a atenção. A estética deve ser adequada às culturas regionais, não cabendo, no caso, exageros. Certos cuidados precisam ser tomados para que os perfis não provoquem imagens artificiais.
Por último, o sopro do vento. O que é isso? A onda das circunstâncias. Os bons candidatos sempre recebem uma ajudazinha do clima psicológico dos momentos, que é formado pelos ventos que sopram a seu favor, e que o projetam como a pessoa que melhor cristaliza os sentimentos gerais e mais empatia provoca junto aos diversos grupos sociais. Esse vento aparece geralmente para oxigenar o poluído ar das campanhas. É mais ou menos assim: candidatos estão se devorando pela mídia, cada um atirando mais forte. De repente, aparece um candidato, com um discurso maior, integrador e positivo, forte e objetivo. Esse candidato, mesmo que comece por baixo, no início da campanha, tem condições de subir, paulatinamente, até ser considerado como o elemento novo na pasmaceira de uma campanha.
Combinar esses elementos é uma química complexa. Mas o caldo dos fatores de motivação de voto é uma ótima vitamina para candidatos anêmicos.

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