Farra nas contratações das prefeituras
As prefeituras se queixam da falta de recursos, mas a farra de contratações continua. Uma pesquisa sobre o perfil dos municípios brasileiros ora divulgada demonstra que o número de servidores municipais cresceu 18%, de 1999 a 2002, alcançando o expressivo volume de 4 milhões, em números redondos. No Paraná, no mesmo período, o crescimento foi de 15%. O estudo revela que, quanto menor o município, maior a proporção de servidores, e são justamente as prefeituras das pequenas comunas as que mais reclamam da escassez de verbas. Se nos grandes municípios a média é de 2 funcionários a cada 100 mil habitantes, nos pequenos o número sobe para exatamente o dobro. Se é certo que, das três esferas do Poder Executivo, são as prefeituras as que arcam com o ônus maior de atender às carências sociais, são também as que gastam mais com pessoal. Isto é uma incoerência e, no mais dos casos, uma irresponsabilidade dos prefeitos. Porque, se eles vivem literalmente de chapéu na mão, solicitando ajuda, são também grandes gastadores, e pelo que a pesquisa demonstra esbanjam no número de funcionários, supondo-se que para atender a promessas de campanha. O que se verifica nos pequenos municípios paranaenses é uma marca forte de pobreza, com ruas e praças sem cuidado, desleixo no visual dos edifícios comerciais e residenciais, parecendo que falta incentivo que parta de um centro de poder decisório, que poderia ser a Prefeitura ou eventualmente as lideranças religiosas, que em certas localidades exercem mais influência sobre o povo que os poderes públicos. O que se ouve da população é a contínua acusação de que todos os governantes roubam, isto incluindo os respectivos prefeitos, e que o número de vereadores extrapola as necessidades e pouco fazem pela comunidade. O ponto central é algo que não muda na esfera pública brasileira: o esbanjamento do pouco dinheiro que as prefeituras arrecadam e o muito que gastam para manter-se. Isto remete à questão tão discutida de que certas localidades não têm estrutura para ser sede municipal e que deveriam retornar à condição de distritos, vinculados aos antigos municípios-mães de origem. Dessa forma, aquilo que se gasta com estruturas paralelas, nesses pequenos municípios de muito dispêndio para manter-se, seria canalizado em maior volume para as causas sociais. A questão envolve uma necessária reestruturação geral no sistema governamental brasileiro, oneroso demais e pouco operante. Mas enquanto essa reforma não chega porque difícil, face ao interesse político e às vaidades envolvidas os prefeitos deveriam ao menos diminuir tanto gasto com servidores e outros mais, sem prejuízo dos atendimentos básicos. Dessa forma sobrariam mais recursos para as necessidades comunitárias e os prefeitos ganhariam mais autoridade no momento de reivindicar maior fatia nas verbas estaduais e federais que lhes cabem.





