Um verdadeiro faroeste digital dominou as redes sociais nesse primeiro turno da campanha eleitoral. Uma execrável contenda, recheada de desinformação, ataques pessoais rasteiros, linchamento virtual, a farsa das fakes news, o embuste das deepfakes, a falta de ética, mentiras, deslealdades, entre outras tantas baixarias foram disseminadas numa espantosa profusão de textos de baixo conteúdo intelectual e extremamente entediosos para os eleitores mais politizados.

Fechadas as urnas, vem aí a etapa final para a definição do pleito; o confronto conflituoso promete ser mais acirrado, ainda. Especificamente para o cargo mor da República, os números estatísticos dos dois candidatos oponentes despertam inexplicáveis contradições e contrassensos, o que demonstra claramente as condições de alienação do nosso eleitorado.

Para melhor ilustrar essa incoerência, é preciso entender que o Brasil vai eleger para a presidência da República um dos dois candidatos que detêm os maiores índices de rejeição entre os demais participantes de todo o pleito eleitoral. As pesquisas mostram que a recusa pelo candidato da oposição atinge 51% da população, enquanto que o candidato à reeleição é rejeitado por 48% do eleitorado e o seu governo é reprovado por 49% dos brasileiros. Evidência disso é que 62% dos brasileiros demonstram um claro desinteresse pela polarização nos extremos ideológicos.

Isso demonstra fielmente que a necessidade de votar no "menos ruim" para não eleger "o pior" está nos levando à apatia e ao desalento. A prova disso são os espantosos índices de abstenções, votos nulos e em brancos que somaram em torno de 25% do eleitorado nessa primeira etapa da votação; ao invés do debate público para discussão de ideias, o foco passa a ser a destruição da reputação do oponente.

De um lado, o culto à personalidade, o fanatismo cego e o messianismo que mistura política com religião para criar uma relação de adoração entre o político e seus seguidores. Do outro, o apoio resiliente e a fidelidade altamente consolidada do lulismo que, mesmo com os escândalos revelados pela Operação Lava Jato, alimentam essa polarização extrema e tóxica, tornando-se o principal entrave para o desenvolvimento socioeconômico estável do Brasil.

Em contrapartida, e para agravar ainda mais o cenário de desolação dos brasileiros conscientes, encimando a arbitragem dessa porfia ideológica, entra o protagonismo da instância máxima jurídica do país, em Brasília, ora totalmente em frangalhos. Togas cada vez mais com as cores político-partidárias e seus ocupantes sob suspeitas de conduta não ilibada, completam o show de horrores que está ofuscando o brilho da maior festa da nossa democracia.

Ludinei Picelli, administrador de empresas

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