Faroeste digital, polarização política e Justiça em frangalhos
Fechadas as urnas, vem aí a etapa final para a definição do pleito; o confronto conflituoso promete ser mais acirrado, ainda
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terça-feira, 06 de outubro de 2026
Fechadas as urnas, vem aí a etapa final para a definição do pleito; o confronto conflituoso promete ser mais acirrado, ainda
Ludinei Picelli 
Um verdadeiro faroeste digital dominou as redes sociais nesse primeiro turno da campanha eleitoral. Uma execrável contenda, recheada de desinformação, ataques pessoais rasteiros, linchamento virtual, a farsa das fakes news, o embuste das deepfakes, a falta de ética, mentiras, deslealdades, entre outras tantas baixarias foram disseminadas numa espantosa profusão de textos de baixo conteúdo intelectual e extremamente entediosos para os eleitores mais politizados.
Fechadas as urnas, vem aí a etapa final para a definição do pleito; o confronto conflituoso promete ser mais acirrado, ainda. Especificamente para o cargo mor da República, os números estatísticos dos dois candidatos oponentes despertam inexplicáveis contradições e contrassensos, o que demonstra claramente as condições de alienação do nosso eleitorado.
Para melhor ilustrar essa incoerência, é preciso entender que o Brasil vai eleger para a presidência da República um dos dois candidatos que detêm os maiores índices de rejeição entre os demais participantes de todo o pleito eleitoral. As pesquisas mostram que a recusa pelo candidato da oposição atinge 51% da população, enquanto que o candidato à reeleição é rejeitado por 48% do eleitorado e o seu governo é reprovado por 49% dos brasileiros. Evidência disso é que 62% dos brasileiros demonstram um claro desinteresse pela polarização nos extremos ideológicos.
Isso demonstra fielmente que a necessidade de votar no "menos ruim" para não eleger "o pior" está nos levando à apatia e ao desalento. A prova disso são os espantosos índices de abstenções, votos nulos e em brancos que somaram em torno de 25% do eleitorado nessa primeira etapa da votação; ao invés do debate público para discussão de ideias, o foco passa a ser a destruição da reputação do oponente.
De um lado, o culto à personalidade, o fanatismo cego e o messianismo que mistura política com religião para criar uma relação de adoração entre o político e seus seguidores. Do outro, o apoio resiliente e a fidelidade altamente consolidada do lulismo que, mesmo com os escândalos revelados pela Operação Lava Jato, alimentam essa polarização extrema e tóxica, tornando-se o principal entrave para o desenvolvimento socioeconômico estável do Brasil.
Em contrapartida, e para agravar ainda mais o cenário de desolação dos brasileiros conscientes, encimando a arbitragem dessa porfia ideológica, entra o protagonismo da instância máxima jurídica do país, em Brasília, ora totalmente em frangalhos. Togas cada vez mais com as cores político-partidárias e seus ocupantes sob suspeitas de conduta não ilibada, completam o show de horrores que está ofuscando o brilho da maior festa da nossa democracia.
Ludinei Picelli, administrador de empresas
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