Farmácia é solução quando sistema de saúde se omite
''A automedicação e o grande número de farmácias no Brasil não podem ser vistos como um problema separado, só de fundo cultural. A farmácia, hoje, é um grande posto de saúde porque o sistema público, que deveria atender a população, não funciona'', resume o farmacêutico Arnoldo Zubioli, professor de Farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e representante do Conselho Federal de Farmácia no Estado.
Para ele, a farmácia, muitas vezes, é a única opção para a população de baixa renda, que não pode arcar com o custo de consultas particulares e não possui planos de saúde, que beneficiam apenas um pequeno número de pessoas. ''A pessoa vai no posto de saúde, não tem médico e só consegue consulta para dali a dois meses. Quer dizer, ele caba indo na farmácia mesmo, que é mais barato e mais rápido'', diz.
Por isso mesmo, ele ressalta a necessidade do governo federal aumentar a fiscalização sobre as farmácias e normatizar o setor. O Conselho Federal defende que apenas farmacêuticos possam abrir farmácias. Já a legislação atual (Lei 5.991/73) exige a presença de um profissional farmacêutico durante todo o período em que a loja estiver funcionando, mas permite que qualquer pessoa possa ser proprietária de farmácia.
''O governo federal deveria normatizar para ter qualidade de exercício profissional. Do jeito que está, hoje poucas farmácias pedem receita para remédio com tarja vemelha. Às vezes, nem as receitas de duas vias para remédios super-controlados são exigidas. Muitas não têm farmacêutico o tempo todo'', denuncia. Para ele, esta situação é reflexo da grande quantidade de farmácias e consequente competição entre elas.
O Conselho calcula que cerca de 50% dos remédios prescritos por médicos não são usados pelos pacientes. Já em países onde a legislação é mais rígida, os farmacêuticos permanecem em tempo integral na loja e intervêm junto aos clientes, o cumprimento da receita sobe para 95% das prescrições, segundo Zambioli. ''Eles sabem que se o paciente não se medica, ele pode gerar mais gastos para o governo com tratamento mais intenso e até internamento'', explica.
O Paraná, de acordo com a presidente em exercício do Conselho Regional de Farmácia (CRF-PR), Célia Fagundes da Cruz, é um dos estados que mais cumpre a legislação. O Conselho realiza em média 20 mil inspeções por ano e em 80% dos casos encontra farmacêuticos responsáveis.





