O farmacêutico Arnoldo Zubioli, professor de Farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e representante do Conselho Federal de Farmácia no Estado, faz questão de frisar a diferença entre autoprescrição e automedicação responsável. A primeira situação engloba pessoas que costumam tomar o remédio recomendado pelo vizinho, adquirem medicamentos baseadas em propagandas ou, ainda, aceitam qualquer indicação de atendentes de farmácia. Já a automedicação responsável é exercida por profissionais graduados em faculdades de Farmácia, os farmacêuticos.
A Portaria nº 2/95 do Ministério da Saúde prevê que os farmacêuticos indiquem alguns tipos de medicamentos, desde que sem tarja preta ou vermelha que exigem receita médica. São produtos praticamente sem contra-indicações e com uma margem de segurança muito grande. É o caso, por exemplo, de receitar algum anti-ácido quando o cliente se queixa de ter comido muito rápido e estar com dor de estômago; um analgésico para uma dor de cabeça eventual, um anti-gripal. Costuma-se recomendar estes remédios por um certo período e, caso não desapareçam os sintomas, indicar à pessoa que procure um médico.
''O importante é conscientizar a população de que nem sempre ela vai resolver seu problema na farmácia, e que ela tem que ir ao médico. O problema é que muitos acabam procurando outra farmácia'', explica o farmacêutico Maurício Portella, assessor do Conselho Regional de Farmácia. Neste caso, o cliente pode correr o risco de cair nas mãos de um mau atendente, e ser vítima da dita ''empurroterapia''. Trata-se de uma prática anti-ética e ilegal, que atende apenas os interesses da indústria farmacêutica e não do cliente. É quando o balconista tenta empurrar algum remédio porque irá ganhar algum tipo de comissão ou brinde dos laboratórios pela venda do produto.
''Toda auto-medicação é perigosa, porque as drogas têm benefícios mas também há custos'', alerta o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina, Donizetti Gianbardino, lembrando que, para indicar um remédio a pessoa tem que ter muito conhecimento sobre seus benefícios e efeitos colaterais. ''Não é uma questão de reserva de mercado, mas nós temos que proteger o cliente. Por isso ele tem que ter certeza da seriedade do farmacêutico para não ser enganado'', diz. Ele concorda, no entanto, que há medicamentos de uso popular, como os anti-térmicos, analgésicos simples, anti-gripais e vitamina C que podem ser indicados pelos farmacêuticos.

mockup