Farinha pouca, meu pirão primeiro
Os congressistas brasileiros vivem em um mundo a parte, longe da realidade da maioria da população. Um mundo cor de rosa que só é manchado por cores mais reais vez ou outra, cada vez que um escândalo surge. Já ouviu essa máxima antes? Seria pura lenda, não fosse o esforço de suas próprias excelências em confirmar o pensamento coletivo.
Veja esse caso: o deputado federal Ernandes Amorim (PTB-RO) defendeu nesta semana o requerimento encaminhado à Câmara Federal para a compra de um avião ou um jato executivo. O objetivo é dar mais mobilidade aos congressistas.
Detalhe, segundo o jornal O Globo o congressista já foi cassado por abuso de poder econômico e político, alvo de ação do Ministério Público Federal por fraude contra o INSS e improbidade administrativa, e réu em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes contra o meio ambiente e o patrimônio genético. O que faz surgir a pergunta: por que será que o pedido de lei dos ficha-sujas continua parado ?
Mas, voltemos ao caso do jatinho. O ilustre deputado afirmou em entrevista à rádio CBN que defende a compra do avião por já ter sido empregado doméstico e hoje pensar ''grande''.
''Se tivesse continuado como empregado doméstico, não teria sido duas vezes deputado estadual, prefeito, senador e, hoje, deputado federal. Se tivesse pensado só como empregado doméstico, só pensaria em lavar prato e varrer a casa, como fazia antigamente.''
O que será que sua excelência quis dizer com pensar ''grande''? No Congresso, outros pensam tão ''grande'' quanto ele?
Talvez isso explique porque no Congresso tantos escândalos expõem a busca frenética por benesses que estão muito longe da maioria da população. Salário polpudo, turbinado por verbas extras e auxílios de todos os tipos, passagens aéreas por nossa conta, inclusive.
E nem é preciso estar na ativa para receber. Reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo mostra que o Congresso Nacional, além de pagar os salários de 594 congressistas (513 deputados federais e 81 senadores) que estão na ativa, gasta mais de R$ 4,3 milhões por ano com salários de parlamentares licenciados.
São excelências que deixaram o cargo recebido pelo voto popular para ocupar vagas em secretarias estaduais ou municipais, ministérios ou prefeituras, e optaram por continuar recebendo pelo Legislativo.
Pena que o pensamento ''grande'' do ilustre deputado Amorim é confirmado em atitudes por outros parlamentares, que têm colocado todos os dias interesses pessoais diante das necessidades da Nação. Em tempo, a Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos já estuda entrar com processo contra o parlamentar.





