Farejar além dos sentidos - Walmor Maccarini
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de janeiro de 1998
Walmor Maccarini 
Um pintor de carros, aqui de Londrina, estava encontrando dificuldade para reparar parte da pintura do automóvel importado, de um freguês. Não conseguia acertar na cor, e por mais que fizesse misturas, utilizando o computador, não chegava ao ponto. Ia desistir, mas de repente teve a intuição: arremeteu mentalmente o problema para a fábrica daquele automóvel, exatamente para o setor de pinturas, pois era lá onde haviam pintado originalmente o carro... E o que foi buscar, veio! Não precisou mexer muito no computador para que a fórmula lhe chegasse. E ao concluir o serviço, surpreso, nem conseguia identificar o lugar do reparo, tão perfeito havia ficado.
A mente humana é muito mais veloz e mais eficiente que o telefone e a Internet, e não custa nada.
Albert Einstein disse certa ocasião que se as mentes de todos os homens se unissem a um só tempo, e o desejassem, fariam explodir o sol. É também do genial cientista esta revelação: Penso 99 vezes e nada descubro; deixo de pensar e mergulho no silêncio, e eis que a verdade me é revelada.
Se a memória consciente das pessoas não consegue entender o significado ou o mecanismo de certas coisas, uma boa prática é recorrer mentalmente a quem as criou ou fabricou. A resposta está em algum lugar. E não só para estas coisas materiais e visíveis, mas para tudo. Melhor ainda se formos diretos à Grande Fonte.
Einstein estava sempre em sintonia com o universo cósmico, de onde lhe chegavam intuitivamente todas as respostas. Alicerçava-se no pensamento intuitivo e não no meramente analítico. As coisas lhe aconteciam como uma iluminação súbita. Muitos o imaginavam um ateu, mas, ao contrário, ele afirmava que Deus era a voz da natureza. E se revoltava com as autoridades e com a igreja por não ensinarem às pessoas a verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre o próprio homem. O fato é que elas nem o sabiam...
Já escrevi estas coisas sobre Einstein mas volto a elas porque é bom e faz bem e não fico sozinho, com alguns poucos...
Ele afirmava que há uma única fonte e que ela se esparrama sobre nós, se estivermos receptivos. É lá onde estão todas as coisas: a resposta para as nossas indagações, o dinheiro, a saúde, a sabedoria, a iluminação divina.
Einstein era um desprendido das coisas materiais e sintonizava-se com a cosmo-consciência, em síntese Deus, que considerava não uma personalidade mas a Invisível Realidade do Universo. Por isso os teólogos o qualificavam de ateu, uma vez que, como ainda hoje, defendiam um Deus pessoal, emocional, propenso a premiar pelas boas obras e punir pelos erros.
Einstein proclamava sentir-se em meio a uma grande fraternidade universal. O silêncio-dinâmico, onde tudo já está feito e consumado.
Judeu-alemão que acabou se refugiando nos Estados Unidos, perseguido pelo nazismo, era religioso mas não pertencia a nenhuma igreja.
Numa carta publicada na revista Time revelou nunca haver feito experiências analíticas para descobrir a sua Teoria da Relatividade, mas que ela lhe veio por intuição. Uma teoria nunca explicada, nem por ele mesmo, e certamente nunca entendida por nenhum cientista. Porque ela seria uma fuga de todas as coisas relativas e um refúgio para dentro do Absoluto. E isto não pode ser explicado à luz da lógica humana.
Einstein buscava primeiro a certeza intuitiva antes que qualquer prova. Óbvio que, para que esses canais se abrissem, ele estudou e trabalhou muito, sobretudo na sua Teoria do Campo Unificado, que significava a unidade e identidade de todas as energias e a inexistência de tempo e espaço, mas ele considerava esses esforços - o estudo e o trabalho - necessários como preliminares, aquela coisa de pensar 99 vezes e mergulhar no silêncio, até que a resposta lhe chegasse intuitivamente. Os canais das coisas afins se abrem para os afins. Desde que sintonizados. É assim que se revelam os gênios. Que não têm mentes privilegiadas mas mentes sintonizadas. Einstein seria apenas um cientista a mais, como tantos, se não vibrasse nessa frequência cósmica. Ele sempre dizia que os fatos devem ser analisados, mas a Realidade (a emanação que vem da alma do Universo), esta nos é revelada.
Este singular matemático era um homem feliz, amigo de todos, que amava as crianças e costumava tocar violino à cabeceira da cama de uma tia doente e inconsciente (mas que o ouvia, segundo ele). Sobretudo um místico. Afirmava que a coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. Não é à toa que muitos se perguntavam porque um cientista daquela estatura falava tanto em Deus. Certamente residia aí a sua excepcionalidade!
É que ele farejava algo mais além dos sentidos!


