'Fantasmas' e gente demais na Assembléia
Além do excesso de funcionários na Assembléia Legislativa do Paraná ainda existem os que não marcam presença. Não é novidade saber que a farra pública no Brasil funciona assim e, no caso, com a conivência implícita de deputados. Porque eles têm obrigação de conhecer a lista de funcionários e os que não comparecem. Claro que controlar fica difícil, porque os servidores certamente há a grande maioria que trabalha são tantos que, se alguns não aparecem ninguém nota. O titular da Casa, Hermas Brandão, chegou a dizer agora que houve uma chamada de presenças que viu gente que ele nem conhecia. O problema é antigo. E não conhecia porque nunca quis conhecer. Se fosse nas suas propriedades, os deputados saberiam de todos os nomes, custos e desempenhos. Como esse ônus é do povo e o dinheiro corre solto e abundante, então dá para sustentar 607 funcionários na Casa e permitir também os ''fantasmas''. Faz lembrar a anedota do leão que fugiu do circo e escondeu-se dentro de uma grande repartição pública. Cada dia ele devorava um funcionário e voltava ao esconderijo. Passou-se muito tempo e ninguém notava a falta de ningúem, porque, na verdade, falta eles não faziam. Até que um dia o leão cometeu o descuido de comer a mulher do cafezinho. Então todos sentiram a ausência dela e a festa do leão acabou. Na Assembléia paranaense nunca foi percebida a ausência dos faltosos. Foi a FOLHA que denunciou. E se, além disso, os deputados permitem a existência de tamanho exército de servidores que certamente trombam uns nos outros então já nem se pode culpar esses irresponsáveis de menor escalão que ganham sem trabalhar. A vida para a grande maioria, ali patrões e empregados é muito fácil, com bom ganho e muitos privilégios. Pergunta-se porque 54 parlamentares precisam de seis centenas de servidores. E por que eles nunca se importaram em fazer a contagem. Se os ''fantasmas'' os invisíveis precisam ser punidos, quem punirá a irresponsabilidade de quem mantém durante anos uma situação dessas? Tal acontece porque, no Brasil, os políticos não prestam contas ao povo e também não lhe dão importância. O fato não exime ninguém de culpa, porque cada deputado sabe de quantos assessores dispõe e das tantas outras regalias de que desfruta. Agora anuncia-se que vai haver controle, depois que a vigilância externa fez alarde sobre o caso. Mas só controlar não basta. É preciso enxugar essa máquina gastadora, reduzindo o quadro funcional. Por que o departamente do pessoal da Assembléia nunca exigiu a presença desses funcionários? Como eles chegam para receber os vencimentos? Ou não há contato com eles? Só arrebanhar esses desgarrados não resolve. O que precisa é diminuir essa pesada carga dos ombros do povo, que paga a conta das mordomias dos deputados e de tanto assessor de coisa nenhuma.





