Fantasia sexual: ingrediente do desejo
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de maio de 2003
Moacir Costa 
Existem pessoas que acham suas fantasias sexuais muito exageradas, a ponto de pensar que elas são decorrentes de algum distúrbio mental. De fato, essas fantasias podem estar ligadas a fatores de repressão, insatisfações, curiosidades. Mas é importante entender que nem sempre isso é motivo de preocupação ou fonte de conflito.
Afinal de contas, o que é normal? Será que a fantasia não é mesmo um escape para o indivíduo fugir dos padrões da vida comum, da realidade que nem sempre é interessante? Será que as fantasias não fazem parte da imaginação de qualquer ser humano?
Às vezes, o homem está naquele momento íntimo com a companheira e vem repentinamente à mente imagem de outra mulher. Não há quem consiga ter um controle absoluto para evitar que esses pensamentos surjam. Mesmo porque o mundo da fantasia, nos momentos de intimidade, é incontrolável, amplo e às vezes confuso.
Na verdade, a sexualidade se tornou problemática justamente pela falta de orientação nessa área, dando origem a diversos medos e inseguranças. Então, quando aparece a imagem de uma terceira pessoa, não significa que o parceiro ou a parceira está sendo infiel. Não é uma infidelidade, pois são imagens que estão soltas no inconsciente e são reavivadas no momento de excitação sexual.
O problema começa a ser mais complexo e perturbador quando a pessoa só consegue fazer sexo se acionar essa fantasia, ou seja, ela tem de utilizá-la em todas as relações. É a isso que chamamos de dependência. A pessoa não se relaciona mais com o parceiro, mas com a fantasia. Aí há um grau de insatisfação e pode ser o começo do sofrimento, do conflito. Nesse caso, é preciso descobrir o que está dificultando a relação e se ainda existem interesse e atração de um pelo outro. Quando isso acontece, não raro é preciso propor ''n'' coisas para o outro se aquecer e criar um clima de maior excitação ou reconhecer que a relação está se deteriorando.
Por outro lado, pessoas que têm mais fantasias também apresentam maior desejo e vida sexual mais ativa. Quase sempre procuram assistir a um filme erótico, ler um romance com passagens picantes e estão mais sintonizadas com tudo que tenha uma aura de sensualidade. E isso é algo extremamente recomendável, sobretudo para aqueles que possuem uma vida muito regrada ou um trabalho excessivamente técnico. Todas as pessoas necessitam valorizar e criar condições para o surgimento de atitudes que estimulem o romantismo e o erotismo, fatores que fazem bem para o equilíbrio e para a saúde mental.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


