Famílias sentirão impacto da alta do dólar
Se alguém ainda tinha dúvidas de que 2015 seria um ano de importantes ajustes econômicos, a grande alta do dólar, no meio desta semana, veio lembrar a dureza do cenário atual. A moeda norte-americana, utilizada para balizar negócios em todo o planeta, atingiu na quarta-feira passada a maior cotação desde 25 de outubro de 2004, chegando a R$ 2,87. Na sexta-feira, o dólar já tinha caído para R$ 2,83. Mesmo assim, acumula alta de quase 19% desde 14 de fevereiro de 2014.
No mesmo dia, em algumas casas de câmbio de São Paulo, o dólar para turistas chegou a custar R$ 3,01 para quem pagava em dinheiro e R$ 3,21 (cartão pré-pago). O dólar comercial, que é divulgado diariamente pela imprensa, tem a cotação menor do que nas casas de câmbio e é usado para movimentações financeiras do governo no exterior e para a realização de importação e exportação de mercadorias. As pessoas comuns (pequenos compradores) acabam pagando o valor maior.
A valorização do dólar no Brasil não é reflexo apenas do cenário econômico nacional. As oscilações da moeda estrangeira são influenciadas também pela percepção dos investidores internacionais sobre o melhor lugar para injetar seus recursos e a atual conjuntura é favorável aos Estados Unidos, que conseguiram vencer a crise de 2008 graças a medidas que levaram os juros para próximo de zero e injeção de recursos que ajudaram a conter o desemprego e fizeram a economia crescer.
É importante lembrar que o dólar alto não afeta apenas o bolso de quem vai viajar para o exterior. A desvalorização do real implica no aumento do preço de produtos fabricados a partir de matérias-primas importadas, impactando o orçamento das famílias.
Especialistas ouvidos pela FOLHA, em reportagem publicada hoje, alertam que o dólar alto favorece os setores que exportam, mas prejudica todos aqueles que dependem de importações, principalmente para compra de matéria-prima e outros insumos. Por conta disso, é importante relembrar que o momento é de prudência e de racionalização dos gastos. E isso vale tanto para as pessoas físicas quanto para empresas e administrações públicas.





