As famílias de pessoas que perderam a vida em um leito de hospital à espera de uma vaga na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), podem ingressar com uma ação indenizatória na Justiça, contra o Estado do Paraná, pedindo o ressarcimento dos prejuízos resultantes do óbito. De acordo com o promotor de Defesa da Saúde Pública de Ponta Grossa, Fuad Faraj, o Estado é responsável pelos atos cometidos por seus servidores e por eventuais falhas no sistema de saúde.
Segundo Faraj, no caso do Estado ser considerado culpado pelas mortes, os recursos para o pagamento da indenização sairão dos cofres públicos, ou seja, os contribuintes pagarão pela negligência. Antecipando-se às famílias, o promotor está levantando documentos que lhe permitam ingressar com uma ação contra o ex-governador Jaime Lerner e contra os ex-secretários de Saúde, Armando Raggio e Luís Carlos Sorbbania. Segundo ele, o Estado deveria ter investido 10% do orçamento no setor de saúde, mas investiu apenas 4%.
A família do aposentado Valentim dos Santos, 69 anos, que morreu na noite do dia 23 de julho, no Hospital Universitário (HU), em Londrina, ainda não definiu se ingressará com uma ação contra o Estado. O filho do aposentado, Valdecir dos Santos, afirmou que não sabia dessa possibilidade e que pretende discutir o assunto com o restante dos familiares. ''Isso não vai trazer meu pai de volta. Mas, talvez, seja uma forma de amenizar nossa dor'', completou.

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