Os irmãos Thomasella, as esposas e o cunhado formam a típica família rural que descobriu, no processamento mais elaborado de sua produção agrícola, o caminho mais curto para chegar diretamente ao mercado consumidor e conseguir melhorar significativamente seu rendimento. ''Só que dá muito trabalho'', como conta Mário. ''Hoje, somos empregados do mercado, que exige muita disciplina de quem o atende, não dá para faltar um dia''. Seja em termos de horário, preço e qualidade, seja no que se refere a embalagem e material promocional, é preciso cuidar de tudo, para se manter competitivo sob o ponto de vista dos grandes supermercados, os compradores desse tipo de produção.
Por isso, na Chácara Thomasella, no distrito do Espírito Santo, em Londrina, todos os adultos trabalham. Começam muito cedo e terminam muito tarde, plantando, colhendo, descascando, lavando e embalando mandioca, numa produção que pode atingir pouco mais de 3 mil quilos por mês, na época de calor, e que alcança os 5 mil quilos nos meses frios. Enquanto os pais trabalham, as crianças estudam os dois mais velhos fazem curso de computação e nem pensam, por enquanto, em seguir a carreira trilhada pela família. Assim, o futuro torna-se incerto. ''Gostaríamos que nossos filhos continuassem morando aqui'', pondera Mário. ''Mas seria necessário sofisticar ou diversificar ainda mais nossa produção, para que esse trabalho pudesse interessá-los'', reconhece.

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