Família resiste às mudanças sociais
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domingo, 07 de dezembro de 2003
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Amanhã, dia 8 de dezembro, será comemorado o Dia Nacional da Família. Mas como está organizada a família brasileira hoje? O conceito da instituição familiar como célula-mater da sociedade civil caiu por terra há pelo menos 50 anos, quando a mulher resolveu emancipar-se e ingressou no mercado de trabalho. Foi então que houve uma transformação na estrutura do lar e os modelos antigos de criação deram lugar a novos padrões estabelecidos por uma sociedade mais consumista.
De acordo com a historiadora Lesi Corrêa, antigamente ter filhos era um investimento. Os pais educavam o mais velho para que ele tomasse conta dos demais. Já o lar atual é autêntico e todos possuem liberdade para participar das decisões familiares, explica.
Para a psicóloga Maria Rita Zoega Soares, o que mais influencia na manutenção de uma família é o comportamento daqueles que a compõem. Não importa se os pais estão juntos ou separados, se os filhos são criados pela mãe solteira ou pelos avós, o que realmente importa é o modo como essas pessoas se relacionam. O diálogo e a honestidade devem estar sempre presentes no relacionamento familiar, afirma.
Antes, o pai era mais valorizado por ser o único a trabalhar fora, enquanto mãe era sinônimo de dona de casa. Agora, o filho enxerga os pais em pé de igualdade e a mãe passou a ser valorizada também pelo marido, ocupando uma posição mais elevada no lar, declara Lesi. Hoje, ninguém quer abrir mão da sua individualidade, mas não há fingimento e os casamentos são pautados na integridade e fidelidade, diz a historiadora.
A psicóloga concorda: As mulheres conquistaram o mercado de trabalho e com isso puderam escolher novas alternativas de vida, sem se sentirem discriminadas pela sociedade. Hoje, muitas delas privilegiam a felicidade e descartam o casamento de aparência, argumenta Maria Rita, relembrando que até pouco tempo atrás os casais mantinham relações falidas para preservar os filhos.
Para a psicóloga Simone Martin Oliani, especialista em análise do comportamento, o tempo é algo importante no relacionamento familiar. Os pais precisam de quantidade e qualidade de tempo para se relacionarem com os filhos. Em apenas 30 minutos de almoço ou jantar o pai não conseguirá transmitir valores ao filho, por isso, é necessário que eles desenvolvam atividades juntos, como assistir tevê ou praticar esportes, assinala.
Mesmo tendo toda a liberdade de opinar nas decisões familiares, os filhos ainda enxergam os pais como um limite para suas ações. Perceber as necessidades dos filhos, fazê-los verbalizar suas vontades e sentimentos de forma coerente e afetiva torna a função de educar muito mais fácil, diz Maria Rita.
Em nossa sociedade, cheia de exigências, onde se valoriza ser o primeiro em tudo, onde as regras sociais mudam a todo momento, onde seguir muitas delas pode parecer desvantagem, pais têm problemas em ajudar seus filhos a desenvolverem respostas para as exigências do dia a dia, para a convivência com outras pessoas.
Para amenizar esta situção, a escola surge como parceira na educação das crianças. Os pais não devem abrir mão de educar os filhos e sim estabelecer as regras sob as quais eles irão se espelhar. A escola deve apenas ajudar no processo, explica Maria Rita.
Lesi defende a qualidade dos profissionais que trabalham nas escolas infantis. As crianças hoje em dia são cada vez mais desinibidas e sociáveis, nada como aquelas que estavam sempre agarradas à barra da saia da mãe.
Mas a tecnologia pode exercer uma influência importante na educação da criança, muitas vezes, negativa. Muitas crianças passam horas navegando na Internet, acessando contéudos impróprios e se isolando cada vez mais do mundo e da própria família, reflete Simone, alertando que tal problema só é resolvido com a participação efetiva dos pais na vida dos filhos.


