A mis­são de edu­car é
an­tes de tu­do dos ­pais.
A es­co­la vem aju­dar a
fa­mí­lia nes­sa di­fí­cil
ta­re­fa. Daí a es­trei­ta
re­la­ção que exis­te en­tre
a fa­mí­lia e a ­escola





O Documento de Aparecida e as Diretrizes da Ação Evangelizadora afirmam que a ''A família é um dos eixos'' da ação evangelizadora. Esta afirmação, além de realista tem consequências práticas e um peso peculiar. Vejamos de um modo panorâmico a família como um dos eixos da ação pastoral.
1. A família e a vida. Uma existe para a outra. Na família a vida é transmitida, gerada, nascida, acolhida, cuidada, cultivada. Não só a vida biológica, mas também a vida cristã, a vida social e a vida eterna: ''Família berço da vida''.
2. A família e a pessoa. Enquanto ''comunidade de pessoas'', a família é nosso ''segundo útero'' porque forma e educa a personalidade e está a serviço da pessoa humana. Por isso, a família é a primeira sociedade, é anterior ao Estado, é titular de direitos naturais inalienáveis.
3. A família e a sociedade. A própria família é anterior à sociedade e goza de direitos pela sua originalidade e anterioridade. Ela é um bem primário. O Estado e as instituições dependem da família, porque ela é uma benfeitora da sociedade.
4. A família e a escola. A primeira escola é a família. Uma escola de valores. A missão de educar é antes de tudo dos pais. A escola vem ajudar a família nessa difícil tarefa. Daí a estreita relação que existe entre a família e a escola, pais e professores. A base da educação está na família.
5. A família e a catequese. Sem a colaboração, a participação e o envolvimento da família, a catequese fica prejudicada. A vivência familiar e o testemunho dos pais são indispensáveis para que a catequese produza frutos. A família é a primeira e principal catequista.
6. A família e a Igreja. O sacramento do matrimonio e a fé, fazem da família uma ''igreja doméstica''. Quanto mais a família se engaja na comunidade eclesial, nas pastorais e movimentos, tanto mais, realiza sua missão de ''transmissora da fé e de valores''. Em nossos dias, um jeito bem concreto de unir família e Igreja, são os grupos de família, grupos de reflexão.
7. A família e as instituições. A relação família e hospital, família e presídio, família e fórum, família e política, família e terapia, etc., indica como a família é um eixo transversal da vida e da pastoral. Nossa identidade está ligada à família, como nossa serenidade psicológica, nosso relacionamento grupal e social.
8. A família e a segurança pública. Habitantes de rua, drogas, violência doméstica e urbana, alcoolismo tem tudo a ver com a desagregação familiar. Não se resolvem de modo adequado os problemas de segurança pública sem investimento familiar.
9. A família e recuperação de dependentes químicos. As pessoas que estão em recuperação nas casas de acolhimento e ajuda a dependentes químicos, geralmente são vítimas da família desestruturada. Por outro lado, elas precisam da família após a recuperação. Mais uma vez percebemos a primazia da família como ''ninho do amor'', comunidade de pessoas.
10. Família e pastorais. Temos pastorais que dependem essencialmente da família como: a pastoral da criança, do idoso, do menor, carcerária, vocacional, etc. É o que chamamos de ''eixo transversal'' da pastoral familiar. Nem todos os pastoralistas têm esta percepção. Em muitos planejamentos pastorais, a família não tem prioridade e às vezes nem espaço. Temos um longo caminho a percorrer até que de fato a família tenha espaço como ''eixo transversal'' da ação pastoral.
11. Família e movimentos. Não podemos dispensar energias, nem trabalharmos com ''gavetas pastorais''. A rivalidade entre pastoral familiar e movimentos de casais, onde ele existe, é falta de bom senso, de diálogo e de abertura do coração. É hora de entendimento, de articulação e de entre-ajuda.
12. Família e vocações. Costumamos dizer que a família é ''berço de vocações''. Que assim seja. Todavia há necessidade de falar bem dos sacerdotes em casa, apoiar a vocação dos filhos e filhas, transmitir a fé e a religião, participar da comunidade. Com poucos filhos e ausência de Deus na família, prevemos diminuição das vocações. Como é importante a família.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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