FAMÍLIA E RELIGIÃO Para religiões, organização da sociedade começa em casa
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domingo, 22 de dezembro de 2002
Ana Setti<br> Reportagem Local 
A religião judaica, como explica o rabino Abrahan Shapiro, orientador espiritual das cerca de 40 famílias da comunidade que vivem hoje em Londrina e Rolândia, ''é essencialmente uma religião familiar''. É pela perspectiva familiar, inclusive, que o judaísmo mede a dignidade do homem, representada pela ''consideração aos pais e avós, pela estima entre marido e mulher, e pelo reconhecimento dos direitos da criança''.
No lar judeu, segundo afirma o rabino, ''não falta autoridade, mas que não se confunde com regime autoritário, pois cada membro da família tem papel importante, indispensável, de maneira que, em conjunto, todos possam assegurar a continuidade da família e da religião''. Cabe à mulher, no entanto, o desenvolvimento de tarefas mais fundamentais. ''A mãe impõe o tom espiritual à vida familiar'', explica o rabino, ''é a principal responsável pelo caráter dos filhos e mantém a família unida em face das adversidades''.
Para o sheik Ahmad Saleh Mahairi, que é o chefe espiritual da segunda mais antiga mesquita entre as 39 existentes no Brasil, situada em Londrina, ''a família é a semente da sociedade humana'' e, como tal, ''se a família melhora, o ambiente externo melhora''. Sob essa perspectiva, a responsabilidade das famílias é grande, cabendo também à mulher um papel de destaque. ''Ela é quem comanda'', confirma sheik Ahmad, ''porque é a dona da casa e exerce grande influência sobre o futuro dos filhos''. Se o momento no mundo é de dúvida e angústia, a solução passa, necessariamente, pela família. ''As pessoas vão se cansar de tantas tragédias, crimes, drogas, brigas e se voltar para Deus, e para a família, buscando a felicidade e a paz''.
Mas, como explica o padre Cesar Braga de Paula, da Arquidiocese de Londrina, antes disso será preciso recuperar a noção do que é constituir uma família. ''Atualmente, as pessoas não têm mais projeto de vida, nem se mostram preparadas para vivenciar o respeito mútuo, a doação, o amor recíproco e os eventuais sacrifícios que o compromisso familiar muitas vezes exige''.
Para exemplificar seu ponto de vista, lembra que o Papa João Paulo II, em outubro deste ano, pela primeira vez na história da Igreja, proclamou a santidade de um casal, os italianos Luiz e Maria Beltrame. ''Eles viveram uma vida ordinária de casal de forma extraordiária'', comenta o padre, ''tornando-se, assim, um casal exemplo para o novo milênio''.


