A família Ogata, de Londrina, é católica, mas respeita a crença budista herdada dos pais e, por isso, procura conciliar as tradições das duas religiões em seu dia-a-dia. O fim de ano é o momento em que esse exercício de equilíbrio e integração atinge seu auge. ''No Natal celebramos o nascimento de Cristo com uma reunião de família, em que se trocam presentes e se participa de uma ceia'', explica Toshiko Ogata. No Ano Novo, a festa é feita de acordo com a tradição budista.
Na véspera, filhos e netos reúnem-se na casa dos pais, Frank e Toshiko, para a ceia com o ''soba'', macarrão feito de centeio e que, por ser fino e longo, representa a vida humana discreta, mas longeva. No alvorecer do novo ano, os familiares se reúnem novamente para partilhar a primeira refeição, sendo então servido o ''omoti'', um bolinho de arroz repleto de simbolismos.
Como explica o obosan (reverendo) Tetsuya Nakayama, da Igreja Budista do Honghanji, em Londrina, ''o arroz é a base da vida dos japoneses e um grão de arroz simboliza um indivíduo ou a vida, pela qual devemos sempre agradecer''. No caso de um bolinho de arroz, o simbolismo se amplia: o fato de ser cozido traz o sentido de um povo coeso, em que as individualidades são mantidas; por ser socado, as individualidades desaparecem, dando lugar à união total ou irmandade; e por ter o formato de um círculo, significa que se atingiu a forma perfeita, sem início nem fim, e sem arestas que possam ferir alguém.
O omoti, portanto, é símbolo de renovação, palavra-chave da passagem do ano, segundo as tradições japonesas. ''Cada um dos integrantes da família formula, nessa data, um propósito de renovação, de abertura para o novo que está chegando'', diz Toshiko. Enquanto isso, no templo budista, como explica o obosan Tetsuya, as famílias se reúnem para bater o sino à meia-noite. São 108 batidas 54 batidas fortes e 54 fracas , que simbolizam 108 tentações e pecados que o homem carrega e que, dessa forma, podem ser esquecidos e purificados.

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