FAMÍLIA E RELIGIÃO Cuidar um do outro, o segredo da união
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domingo, 22 de dezembro de 2002
Ana Setti<br> Reportagem Local 
Em um mundo cada vez mais complexo e difícil, a família ainda é a principal referência do ser humano em seu desenvolvimento material e espiritual. ''O futuro da humanidade passa pela família'', afirma o padre Cesar Braga de Paula, vigário®MDBO¯ ®MDNM¯da Arquidiocese de Londrina. A sustentá-la, preparando-a para enfrentar ''o desafio cotidiano de sobreviver em um meio adverso, com os riscos dos crimes, das drogas, da violência, das exigências de um mundo capitalista'', como explica, são necessários valores muito bem definidos.
Para o sheik Ahmad Saleh Mahairi, supervisor dos assuntos islâmicos no Brasil e que se estabeleceu em Londrina em 1973, para coordenar a construção da mesquita local e dar apoio espiritual às cerca de 500 famílias muçulmanas que viviam na região, a deterioração desses valores se intensificou ao longo dos últimos 20 anos. ''A família era mais unida, mais religiosa'', comenta. Desde então, com as mudanças que ocorreram na sociedade, especialmente no campo econômico, restringindo os rendimentos, ''a fraqueza da fé entrou nas famílias e quando a fé fracassa, entram a droga, a tristeza, as brigas''.
Fé e moral são dois fundamentos preciosos para a sustentação das famílias. Eles se complementam, sob o aspecto religioso. De acordo com o sheik Ahmad, para os muçulmanos, ''a fé é moral e, para viver em paz, é preciso ter moral''. O padre Cesar afirma: ''É importante termos consciência de que somos seres divinos e, nessa perspectiva, nos voltarmos para os verdadeiros valores, sem os quais estaremos criando uma sociedade que se degenera''.
No dia-a-dia das famílias, o equilíbrio entre fé religiosa e valores morais bem fundamentados parece oferecer a base ideal para o pleno desenvolvimento de seus integrantes. É o caso da família Ogata, formada pelo casal Frank e Toshiko, seus quatro filhos e oito netos.
Para Toshiko, a matriarca, o mais importante numa família é a formação de caráter. Em sua opinião, atualmente todos buscam uma qualidade de vida melhor, todos trabalham, homens ou mulheres. ''Acabou aquela família em que a mãe está muito presente, fazendo o filtro das emoções, dando base para os membros familiares'', diz ela. Não se pode deixar, contudo, que a formação do caráter escape ao controle. ''É preciso saber dizer e manter o sim e o não, é preto ou branco, não pode ser cinza.'' Toshiko realça a importância da firmeza dos pais em definir limites, para que a família não corra o risco de se desestruturar.
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União é a característica da família Taufik Tauil. O patriarca veio da Síria, mas cresceu no Brasil, casou-se e teve quatro filhos: Ricardo, Helenida e as gêmeas Soraya e Samira. ''Vivemos como banana em penca'', afirma Helenida, referindo-se ao relacionamento entre eles.
''Sempre ficou muito definido para nós que o homem é o esteio financeiro e a mulher, o esteio emocional'', conta Samira. Quando a mãe morreu (em 1973, com 41 anos de idade), o pai assumiu as duas responsabilidades e estimulou-os a se tornarem ainda mais unidos. O resultado: as irmãs, seus maridos e filhas e o irmão mais velho, que é solteiro, trabalham juntos, moram no mesmo prédio (menos o irmão) e celebram juntos cada evento familiar importante.


