Família é o porto seguro para os adolescentes
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sábado, 19 de abril de 2003
Phoenix Finardi<BR>Reportagem Local 
''Tivemos a época dos neuróticos e agora estamos na época dos psicóticos'', aponta a educadora Silvia Cruciol, que vê na desintegração da família a principal causa de crianças sem limites e adolescentes com a saúde mental comprometida. Ela fala apoiada por 26 anos de experiência de trabalho no Movimento Familiar Cristão (MFC), ligado à Pastoral Familiar. Mãe de três filhos adultos, Silvia e o marido atualmente são coordenadores estaduais do MFC. ''A família é o porto seguro de todo ser humano. Quando a família se desintegra, as pessoas perdem o senso de estabilidade e segurança'', resume.
Para a educadora, além dos fatores sociais, a mídia é a grande culpada, corrompendo valores e atacando os pontos que mantinham a estabilidade da família: o casamento, a fidelidade e o respeito. ''Hoje em dia as pessoas se casam com a expectativa de ficar juntas enquanto a relação estiver legal'', diz Silvia. Dados do próprio Movimento Familiar Cristão mostram que 60% dos casais que fazem curso de noivos se separam antes do segundo ano do casamento. ''As pessoas não entendem mais o que é união. Elas querem um casamento pronto, não sabem construir nada'', reflete.
Esse processo de desestruturação familiar vem se acelerando nos últimos 20 anos, segundo a educadora. O reflexo mais visível está nas pessoas que nasceram na década de 80 muitos são os adolescentes problemáticos que surpreendem a sociedade com um nível exacerbado de violência e depressão: ''Os pais criados no autoritarismo dos anos 60 partiram para o oposto, o liberalismo, criando filhos tiranos'', indica Silvia. ''São adolescentes que não conheceram limites, que não sabem o significado de consequências e que estão com a saúde mental comprometida'', afirma.
As soluções existem mas não são mágicas nem fáceis, de acordo com a educadora. ''Quem se separa é um homem e uma mulher - não o pai e a mãe. Essa é a primeira coisa que a gente precisa aprender'', ensina. O próximo passo é a revisão dos papéis que cada um desempenha na família. É preciso ter uma figura de autoridade, que imponha limites e também alguém que trabalhe a afetividade, a sexualidade e a organização. ''Esses papéis podem ser trocados e até revezados, mas é preciso que eles se façam presentes'', garante.
A questão dos limites também precisa ser reavalidada: ''Os pais têm que ter as rédeas da família nas mãos'', orienta Silvia.


