Família deve saber logo da demissão
Um dos momentos mais delicados da vida de um trabalhador desempregado é o momento de explicar o ocorrido à família. Há quem espere até três semanas para fazê-lo. Na avaliação do psiquiatra e educador Içami Tiba, a conversa com a família deve ser feita o quanto antes. Adiar só atrapalha. Ele diz que desemprego não é vergonha para ninguém, principalmente hoje em dia.
Segundo o médico, quanto mais demora para conversar com os familiares, mais a pessoa passa a viver uma mentira. Dizer a verdade, e logo, é a melhor forma de contar com a ajuda de todos. ''Só assim a família pode se envolver e ajudar numa futura recolocação'', afirma.
Outro ponto delicado é a reorganização do orçamento doméstico. De acordo com o administrador de investimentos Fábio Colombo, é preciso cortar gastos supérfluos, sobretudo nas contas relacionadas a lazer e viagens.
Foi o que fez o técnico em manutenção Jeferson Hardaim, 36 anos, que perdeu o emprego em novembro do ano passado e conseguiu voltar ao mercado recentemente, em 30 de julho.
Depois de comunicar à esposa, fez cortes no orçamento. As roupas e sapatos que costumava comprar com freqência perderam espaço nas contas cotidianas. Fez o mesmo com idas a bares e restaurantes. Com a indenização, procurou uma consultoria para recolocação.
Conta que, em sua busca, enviou mais de 3,5 mil e-mails, dos quais resultaram 12 entrevistas. Além disso, postou um lote de 300 cartas a diversas empresas, que renderam duas respostas.
O que o garantiu, conta, foi a boa indenização que recebeu e as reservas que havia feito para emergência. Seu antídoto para os momentos de maior angústia era brincar com o filho de um ano nos brinquedos infantis do edifício em que mora. ''O sorriso dele funcionou como remédio'', diz. (M.B./A.E.)





