Fama e sucesso nas artes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 2003
Claudinê de Oliveira 
Quase nada tem sido possível aproveitar da programação exibida pelas emissoras de televisão. A banalização está presente na maioria absoluta de tudo aquilo que é mostrado, trazido no lombo de uma ''eguinha pocotó'' e puxado por uma ''lacraia'' deslumbrada. Para analisar melhor essa questão, é preciso fazer uma distinção entre a fama e o sucesso.
À primeira vista pode até parecer a mesma coisa, contudo, se examinada sob a ótica do conhecimento, da vivência e da experiência, veremos que existe uma diferença incomparável entre ambas, muito embora estejam separadas, apenas, por uma linha tênue, mas, suficiente, para determinar a grandeza infinita de uma sobre a outra.
O sucesso você tem que construir através de uma penosa e longa caminhada, cheia de percalços, feita de altos e baixos, margeada de alegrias e tristezas.
A fama, ao contrário, você pode alcançá-la até com relativa facilidade. Ela não passa de um sopro e depende da conveniência ou do inusitado. Enquanto o sucesso é definitivo, a fama é sempre passageira.
O que se percebe é que as pessoas procuram ver as coisas de acordo com seus conhecimentos e referências, sem dar conta que estão sendo conduzidas, induzidas, ridicularizadas e enganadas. Não façam isso com o nosso povo!
A arte de um povo é a sua alma viva, o seu pensamento, a sua língua no significado mais alto da palavra; quando atinge sua plena expressão, torna-se patrimônio de toda a humanidade, quase mais do que a ciência, justamente porque a arte é a alma falante e pensante do homem, e a alma não morre, mas sobrevive à existência física do corpo e do povo.
Nas artes, a pintura é poesia silenciosa; na arquitetura, ninguém que não seja um grande escultor ou pintor pode ser um arquiteto, se não tanto, quando muito apenas um construtor; na música, talvez seja ela (a arte) o único exemplo do que poderia ter sido se não tivessem existido a invenção da linguagem, a formação das palavras, a análise das idéias a comunicação das almas; no teatro, o dramaturgo descreve pessoas e para tanto, usa atores; na dança reside uma expressão perpendicular de um desejo horizontal.
É muito rico e vasto o nosso meio artístico e cultural, onde existem grandes atores, cantores, compositores, poetas, escritores, à espera de uma oportunidade, para que possam demonstrar todo o seu conhecimento, talento, sensibilidade e capacidade.
Arranja-se tempo para a mediocridade e nega-se espaço para a manifestação da inteligência, da habilidade ou dom natural.
''Se é um prazer desfrutar do que é bom, prazer maior é provar o que é melhor; e na arte aquilo que é ótimo é bom o suficiente'', disse Goethe.
CLAUDINÊ DE OLIVEIRA é funcionário público estadual em Apucarana


