Curitiba - O mundo da moda é cheio de oportunidades em diversas fases do processo de criação de uma coleção bem-sucedida. Apesar de boa parte dos estudantes dos cursos de moda sonhar com o título de estilista famoso e gerador de tendências, o mercado está carente de outros profissionais qualificados que são tão importantes quanto o nome da etiqueta. Áreas de produção (costura, corte e operação de maquinário), administração, editorial, vitrinismo e modelagem são alguns exemplos de campos com vagas em aberto. Universidades e instituições técnicas oferecem cursos de duração de seis meses a quatro anos.
No comando de uma marca de moda fitness, em Curitiba, a empresária Raquel Ceziuk tem uma grande dificuldade em encontrar boas costureiras e optou em treinar o pessoal da produção. ''Ninguém mais quer exercer o ofício e poucos têm uma qualificação. Por isso, sobram vagas'', alerta. A costureira Fabiane Rigloski, de 25 anos, começou como etiquetadora, passou pelo corte e revisão de peças e recebeu treinamento da confecção para assumir o cargo. ''Sem o meu trabalho, a criação não se torna realidade. É uma profissão de muito valor que exige empenho e dedicação'', comenta. Quanto ao salário, Raquel não revela os valores, mas afirma que paga quase o dobro do piso da categoria.
Um outro exemplo de campo de trabalho - que pode parecer estranho no primeiro contato - é a contratação de um profissional de moda para administrar uma marca. O plano profissional de unir linhas e agulhas às planilhas eletrônicas tornou-se realidade para a administradora de empresas, fotógrafa e técnica em moda, Larissa Tanaka. Ela responde pela supervisão do sistema gerencial global da empresa de Raquel. ''Ninguém entendia o porquê de estudar moda se eu não seria uma estilista. Minha visão de mercado estava voltada aos serviços agregados ao mundo fashion que ofertam excelentes oportunidades de realização profissional'', salienta. Quando não está cuidando das compras, envolvida com tecidos e contas a pagar, Larissa comanda sua própria empresa de fotos para ensaios de moda. ''Meu aprendizado técnico possibilita ter um olhar amplo do setor'', acrescenta.
A colega de curso, Elaine Piovezan, é estilista e está comemorando o seu primeiro trabalho à frente das criações da marca de Raquel (Get Shape), ao assinar a coleção de inverno. Aos sonhadores com glamour de plantão, o recado dela é que ''antes do reconhecimento vem o estudo, pesquisas e o desenvolvimento do talento criativo de cada um. É uma atividade que encara um mercado pequeno e marcado pela informalidade''. Elaine é fascinada por croqui e palheta de cores, mas não perde de vista o contato com as costureiras. ''A interação ajuda a não comprometer o resultado final'', diz, lembrando que uma coleção é feita em equipe.
''Os estudantes ainda têm uma visão muito limitada do que o mercado pode oferecer'', comenta a coordenadora do curso de Designer de Moda do Centro Europeu, Celinha Buschle. Ela acrescenta que modelista é uma espécie em extinção, embora seja fundamental para a produção de moda. ''O maior foco está na passarela, no editorial e na consultoria'', avalia. Quanto ao boom dos estudantes em planejar a carreira como estilistas, Celinha não esconde seu receio quanto à qualidade destes profissionais.''Ter criatividade não é o suficiente para ser estilista. É preciso ter uma base teórica para conquistar uma identidade, viajar muito, conhecer o perfil do consumidor e antes de tudo, ser um profundo observador do que acontece ao seu redor. É um mercado encantador, cheio de oportunidades, que exige muita dedicação e especialização'', finaliza.

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